Coelhos na cartola





Rogério Medeiros

Está se aproximando a data da decisão do governador quanto ao que vai disputar em outubro, muito embora, nos meios políticos, não passe pela cabeça de ninguém que ele possa optar pelo Senado. Mas no interior do governo, entre os mais chegados a ele, não está bem clara que essa opção é pelo governo.

A medir o que eles pensam, acham que politicamente a melhor saída é o Senado. Garante a ele comandar do Senado a vida política do Estado, já fazendo desde agora o seu sucessor no governo. No cenário nacional, com a retaguarda no Estado, com o conceito que lhe garante o seu governo, seria um nome para ganhar espaço no chamado andar de cima. De líder de bancada a ministro.

Do que ficar aqui num segundo governo sendo comparado com o primeiro. O que iria conferir-lhe um grande desgaste. Uma coisa foi receber um governo de um José Ignácio, outra coisa seria suceder a ele próprio. Desgaste na certa.

Na minha avaliação, esse é um caminho temerário, que pode ter custos, como teve custos a eleição em Vitória, onde a boa imagem do Luiz Paulo elegeria até um poste, "como diziam os seus seguidores". Deu no que deu: um traumatismo craniano do César Colnago no poste. Quem garante que isso não possa ocorrer também em nível estadual?

É preferível ficar com a hipótese de que o governador foi mesmo condenado a ser candidato ao governo. E, nessas condições, há duas situações básicas para manter o poder: escolher um vice político e enfrentar a ira dos outros, principalmente entre os que pretendem sucedê-lo em 2010. Pois se ele colocar um vice tipo Lelo estará mais do quer claro que ele será o seu sucessor em 2010. Aí nem tem para Coser, Casagrande, Vidigal etc.

Agora, se ele colocar uma figura de gabinete, desses feitos para não disputar eleições, modelo Neivaldo Bragato, é um sinal mais do que claro que as oportunidades vão estar abertas para as demais lideranças, que, não sendo da casa, gravitam em torno dele na esperança de poder ficar com o governo em 2010. Quem achar absurdo Bragato vice e governador por nove meses, deve buscar corretamente as razões pelas quais ele filiou Bragato no PMDB. Para continuar sendo o seu pájem é que não foi.

Da cartola de PH é licito sair coelho de diferentes cores.

Fragmentos
1 - O ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal, do PDT, está conversando com outras forças partidárias. Já se reuniu com o presidente do PP regional, deputado federal Nilton Baiano, e deve reunir-se com o presidente regional do PL, também deputado federal Neucimar Fraga.

2 - Disse ao Nilton que, se receber o apoio do PP e do PL, ele sai candidato ao governo. Só não quer sair se o PDT não conseguir aliados que possam garantir, entre outras coisas, melhor tempo de televisão. Também tem esperança, dependendo da definição nacional, de atrair o PPS, do vereador de Vitória Luciano Rezende.

3 - O Instituto Vox Populi deve fazer a pesquisa para definir o candidato do PDT, como também deve ficar com o partido no período eleitoral. Por ser um instituto de pesquisa de prestígio nacional, se incumbiria de segurar a mão do Futura, ligado ao governo do Estado e às megaempresas alienígenas, como a Aracruz Celulose, que estará também dentro do processo eleitoral.