O sul capixaba ameaçado





Ubervalter Coimbra


As três principais poluidoras do ar na Grande Vitória - CVRD e a Arcelor Brasil - CST e Belgo - provocaram doenças que, até 2003, exigiram investimento de R$ 3,7 a R$ 4,4 bilhões dos capixabas para tratamento da saúde. Com a agravante de que algumas destas doenças não têm cura, como alguns tipos de câncer.

A liderança entre as poluidoras é da CVRD. Só esta empresa exige que os governos e a sociedade na Grande Vitória gastem R$ 56 a 70 milhões por ano, com valor médio anual de R$ 65 milhões, para tratamento de saúde. Nos 35 anos de operação, a empresa exigiu a população gastasse R$ 2.275.000.000,00 para tratar as doenças que provocou.

A CVRD responde por 20-25% dos poluentes do ar na região. Na degradação ambiental da Grande Vitória, as três principais empresas poluidoras região lançam, só no ar, 264 toneladas/dia (96.360 toneladas/ano) de poluentes.

Mas, não é que, apesar e talvez por suas plantas industriais obsoletas, porém baratas, a CVRD, presidida por Roger Agnelli, é altamente lucrativa? Deu lucro líquido de R$ 10,4 bilhões em 2005, 61,7% superior ao de 2004, além de ser o maior já obtido pela companhia.

Lucro, como se viu, à custa da degradação ambiental e social de seus projetos. Agora, depois de saturar a Grande Vitória, a CVRD ameaça o sul do Espírito Santo.

Anuncia para Ubu, divisa de Anchieta com Guarapari, um complexo industrial e portuário pelo menos igual ao de Tubarão, em Vitória. A empresa já é sócia das três usinas de pelotização de minério de ferro na Samarco, e seu megaprojeto prevê no total oito pelotizadoras. Além de uma siderúrgica que produzirá até 4,5 milhões de toneladas/ano, uma usina termelétrica. Tudo isso exige a ampliação do porto de Ubu.

Tal gigantismo está deixando os moradores da região apavorados. Temem que o sul perca sua principal fonte de renda, o turismo. Pois o ar ficará irrespirável, e haverá aumento da violência, da prostituição, do desemprego.

Um quadro nada animador. Mas há possibilidade de intervenção da sociedade no processo.

E é com este objetivo que alerta a coluna: a hora é de participação, de conhecimento dos impactos ambientais e sociais do projeto, de denúncia.

Calar é ser conivente com os lucros bilionários da empresa, realizados às custas da população. Já não basta a conivência dos governos?

A hora é de ação!