As multinacionais Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) e Arcelor Brasil (CST) são as principais causadoras da poluição nas Ilhas do Frade e do Boi, em Vitória, e na Prainha, em Vila Velha. Nas ilhas em Vitória, as emissões das indústrias respondem por 57% dos poluentes, e em Vila Velha, por 49% da poluição.
Os dados que apontam que as indústrias são a maior fonte de poluição foram apurados em pesquisa realizada pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), no Laboratório de Aerossóis e Bioescoamento (LAB), coordenado por Rogério Queiroz.
Nos dados divulgados não há indicação das fontes de poluição. Mas as usinas da CVRD e Arcelor Brasil - CST ficam na direção do vento dominante na região, o nordeste, e em linha reta com as Ilhas do Boi e do Frade, além da Prainha. Não existe possibilidade de que os poluentes encontrados nestes locais não sejam emitidos pelas duas multinacionais.
Nas Ilhas do Boi e do Frade, segundo a pesquisa, além dos 57% de poluentes emitidos pela indústria, a poluição provocado pelos solos representa 35% do total e do mar (aerossóis) 8%.
Já na Prainha, em Vila Velha, as indústrias respondem por 49%; os solos 48%, e o mar, 3%.
Em outros locais da Grande Vitória, como em Bela Aurora, Cariacica, a pesquisa apontou que as indústrias (a maior da região é a Arcelor Brasil - Belgo) respondem por 15% dos poluentes; os solos (ruas não calçadas) 80%, e os veículos 5%.
A poluição oriunda dos solos prevalece em Laranjeiras, na Serra, com 75%, e em São Pedro, com 75% (20% da queima de vegetais), e na Praia do Canto, em Vitória, com 50% (aqui, os veículos respondem por 30% da poluição, ainda segundo a pesquisa).
Os dados foram apurados nos meses de janeiro e fevereiro deste ano.
As partículas maiores, que forma a poeira negra, provocam doenças alérgicas e rinites, entre outras, e ficam presas nas partes superiores das vias respiratórias. Causam danos econômicos, inclusive por depreciar os imóveis.
Já as partículas menores que dez micra (1 micra equivale à milésima parte do milímetro) são inaláveis e provocam doenças respiratórias graves. Alguns poluentes podem ter até 2 micra (são chamadas PM2). Muitas são acumuladas no pulmão, provocando doenças crônicas. Algumas até cânceres e outras deprimem o sistema imunológico, facilitando o desenvolvimento de doenças.
O LAB anunciou que também estudará a concentração destes poluentes, com coletas de amostras na Enseada do Suá e em São Pedro, em Vitória. Partículas finas podem ser transportadas pelo ar até por oito quilômetros, antes de serem decompostas.
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As poluidoras conhecem os estragos
que promovem; população ignora
As empresas mantêm equipamentos de controle de suas emissões nas chaminés de suas fábricas. Sabem, portanto, precisamente quais os venenos que lançam no ar (como também o que manda para o mar), e as quantidades.
Mas estes dados, que por lei também teriam que ser medidos de forma independente pelo poder público, e disponibilizados on line pela população, não são oferecidos aos moradores. Há omissão e/ou conivência do poder público (leia-se Iema e prefeituras da região da Grande Vitória).
Sobre a Grande Vitória são lançadas 264 toneladas/dia (96.360 toneladas/ano) só de poluentes do ar. As usinas da CVRD começaram a ser instaladas na Grande Vitória há 35 anos. A empresa responde por 20-25% dos poluentes do ar na região. A Arcelor Brasil (CST) responde por 15 a 20% dos poluentes lançados no ar na Grande Vitória, e a Arcelor (Belgo), de 5-8% da poluição atmosférica da Grande Vitória.
Juntas as poluidoras provocaram doenças que exigiram o gasto de R$ 3,7 a R$ 4,4 bilhões da população. São doenças como cânceres, as alérgicas e respiratórias, as que deprimem o sistema imunológico, entre muitas outras. Mais da metade da população da Grande Vitória tem sua saúde afetada pela poluição do ar.
Sem tratar os gases derivados do enxofre emitidos por suas usinas I e II de Carapina, a Arcelor Brasil - CST as emissões prejudicam a população da Grande Vitória há 25 anos, initerruptamente, e causaram doenças que custaram à população R$ 1.250.000.000,00 (R$ 50 milhões por ano), e a Arcelor Brasil - Belgo, R$ 18.000.000,00 por ano, R$ 414.000.000,00 desde sua fundação.
Os poluentes lançados pela CVRD exigem que os governos e a sociedade na Grande Vitória gastem R$ 56 a 70 milhões por ano, com valor médio anual de R$ 65 milhões, para tratamento de saúde. Nos 35 anos de operação, a empresa exigiu a população gastasse R$ 2.275.000.000,00 para tratar as doenças que provocou.
Também destroem o meio ambiente no Estado a Samarco Mineração (CVRD), a Aracruz Celulose, e as destilarias de cana-de-açúcar, as mineradoras, entre outras.
As empresas do Espírito Santo contam com os favores da legislação e dos governos para lançar no ar e na água elevadas cargas de poluentes. Para corrigir a distorção, o governo, após consultar a sociedade, deve definir um novo padrão de qualidade do ar que as empresas terão que respeitar.
Os parâmetros para medir a poluição do ar aplicados no Estado são os chamados primários. A sugestão é que de sejam adotados os denominados parâmetros secundários de controle ambiental, definidos pela Resolução n° 3/90, do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama).
A Resolução, no seu Artigo 2º informa que são padrões primários de qualidade do ar são as concentrações de poluentes que, ultrapassadas, poderão afetar a saúde da população. Já os padrões secundários de qualidade do ar são definidos com as concentrações de poluentes abaixo das quais se prevê o mínimo efeito adverso sobre o bem-estar da população, assim como o mínimo dano à fauna, à flora, aos materiais e ao meio ambiente em geral.
Na legislação estadual, deve-se destacar a possibilidade do fechamento das empresas que não cumprirem os parâmetros que forem aprovados. A legislação também deve definir o prazo de adequação das empresas poluidoras às novas normas.
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