Vitória (ES), edição de 14 de março de 2006

Magistério de Vitória quer 20%
a mais do que a PMV oferece



Luciano Coelho
Foto capa: Ricardo Medeiros


Os professores de Vitória querem 20% de aumento ainda este ano, além do já oferecido pela prefeitura. Caso não haja acordo, a greve por tempo indeterminado será deflagrada na próxima assembléia, na terça-feira (21). E não é só a Capital que enfrenta problemas com o magistério. A rede municipal de educação de Vila Velha pode parar a partir desta quinta-feira (16).

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Espírito Santo (Sindiupes-ES) fará assembléias em Vila Velha e na Serra, nesta quinta (16). De acordo com Aguiberto Oliveira, diretor jurídico do Sindiupes, o magistério vilavelhense acumula perdas de cerca de 64%, de 2000 até hoje.

Entretanto, o secretário municipal de Educação de Vila Velha, Roberto Beling, revelou que, em reuniões com o Sindiupes, o próprio sindicato apontou que as perdas acumuladas somam 13,9%. Beling explicou que o percentual divulgado pelo diretor do sindicato se refere a todas as perdas, sem descontar os reajustes que aconteceram no município. O secretário também acredita que os professores do município devem ser contra a greve, já que tem havido diálogo com a prefeitura.

Já em Vitória, a greve pode ser deflagrada novamente, com outras pautas de reivindicações. A assembléia desta terça-feira (14), no Centro Sindical dos Bancários, Forte São João, apresentou novidades. A categoria decidiu que além dos 28% (8 + 20) de aumento este ano, vai requerer mais 30 no próximo ano e outros 30% em 2008, último ano de mandato do prefeito João Coser (PT).

"Uma vez que os cálculos são feitos baseados na regra de juros sobre juros, o total deste aumento seria aproximadamente de 120%. O que cobriria as perdas de 115% e daria um ganho real para a categoria de pouco mais de 6%", explicou um professor filiado ao Sindiupes.

A prefeitura de Vitória não abre mão do aumento de 8%. A secretária de municipal de Educação, Marlene Cararo, já disse que a meta desta administração é não deixar acontecerem as perdas que acompanharam os servidores nos doze anos anteriores a Coser. Além disso, Marlene afirmou que a categoria teve aumentos, sim, inclusive foi abonada no ano passado.

Um dos manifestantes rechaçou o abono concedido. Em seu discurso, o representante sindical disse que a prefeitura abonou os professores para cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal, que determina o mínimo de 25% de receita destinada à educação. Ele ainda se revoltou com a diferença das gratificações. É que os professores do ensino fundamental receberam um pouco mais que os outros, já que ganharam de recursos oriundos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental (Fundef).

Quanto à decisão da secretaria de Educação de realizar a reposição de aulas aos sábados, há descontentamento. Os professores só vão repor quando houver acordo. E a Associação de Pais é contra a medida, por questões dos finais de semanas serem voltados para o lazer das famílias. O Sindiupes prefere estender o calendário a repor às aulas aos sábados.

Outra questão levantada na assembléia se refere à Justiça. A categoria decidiu apresentar pedido de auditoria ao Tribunal de Contas e ao Ministério Público Estadual, referentes às contas da educação da PMV de 1998 a 2005. Decidiram também solicitar nova audiência pública à Câmara Municipal. Inclusive pedir a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Educação.