Vitória (ES), edição de 15 de março de 2006    
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Jornalismo esportivo: rapidez e poesia



Felicia Borges


  
Foto: Divulgação
  
Garrincha "brinca" com o adversário

Emoção, paixão, competição são ingredientes presentes na vida de qualquer "louco" pelo esporte. Há quem assista a transmissão e os programas na TV, acompanha as notícias no rádio, no jornal e na internet para ter todas as informações de seu time ou esporte favorito. Se o aficionado é jornalista, isso tudo ainda parece pouco.

Neste sábado, dia 18, acontece em Vitória o 1º Fórum de Jornalismo Esportivo do Espírito Santo. Profissionais de São Paulo, do Rio de Janeiro e locais vão debater as tendências do esporte no Brasil e no Estado, além de falar sobre coberturas esportivas, fontes de informação e ética no jornalismo esportivo.

Os palestrantes vão contar um pouco também sobre a rotina e os imprevistos da profissão de jornalista. "O fórum vai abordar as várias tendências do jornalismo, tanto esportivo quanto em geral, e as várias mídias, televisão, impresso, rádio, internet", explica um dos organizadores do evento e mediador do Fórum, Humberto Gomes, integrante da equipe de esporte da Rádio Espírito Santo e comentarista do Programa Esporte Capixaba da TV Capixaba.

"Como a mídia vê o esporte, a importância do jornalismo para a área. Vamos fazer um panorama para quem quer trabalhar na área e para quem é de fora também, mostrando como o texto é feito para atrair mais, como é feita a apuração, a manchete. Vai ser como uma mesa redonda, para trocar informações", diz Humberto. "No Estado o esporte é muito carente e falta a imprensa ter um compromisso maior com a área", completa.

Entre os presentes no Fórum está o jornalista especializado na área, com ênfase em pesquisa, Celso Unzelte, autor dos livros "Almanaque do Timão", "Almanaque do Palmeiras", "O Livro de Ouro do Futebol" e "Grandes Clubes Brasileiros" (em parceria com Marcelo Migueres), dentre outras obras. Atualmente Celso é professor de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero e é integrante do programa Loucos por Futebol, da ESPN Brasil.

Também participam Roberto Thomé, ex-Globo, atualmente na TV Record; Fábio Azevedo, atual Chefe de Reportagem do site www.fluminense.com.br, com passagem pelo departamento de esportes da Rádio Globo AM; Marcelo Migueres, consultor, comentarista, escritor e pesquisador sobre o futebol brasileiro, autor de "Grandes Clubes Brasileiros" (em parceria com Celso Unzelte), "Caiu na Área é Pênalti!" e do livro do Volta Redonda.

  
Foto: Divulgação
  
Pelé é um dos aclamados
Entre os participantes do Estado estão Jorge Ferreira Alves (Índio), atual treinador da Seleção Capixaba de Beach Soccer, com passagem pela Seleção Brasileira de Beach Soccer; Leonardo Ramalho, um dos organizadores do Fórum, chefe de reportagem do site www.vitoriafc.com.br, colunista do site www.futebolcapixaba.com.br e colaborador oficial do site referência mundial em pesquisa esportiva RSSSF - The Rec.Sport.Soccer Statistics Foundation www.rsssf.com - em sua vertente aqui no Brasil; Amaro Neto, integrante da equipe de Esporte da Rádio Espírito Santo AM; Peter Falcão, jornalista, atuou por 16 anos na Editoria de Esportes do Jornal A Gazeta e atualmente é um sócios fundadores da única Assessoria de Imprensa Esportiva especializada existente no Estado do Espírito Santo, a Pauta Livre

O 1° Fórum de Jornalismo Esportivo do Espírito Santo acontece neste sábado (18), das 9h às 17h, no Centro Educacional Primeiro Mundo, em Santa Lúcia-Vitória, e as inscrições podem ser feitas pelos telefones 9999-5215 e 9902-8560, pelo site www.vitóriafc.com.br/forum ou pelos e-mails: leonardo.ramalho@vitoriafc.com.br e humbertogomes1@uol.com.br.

Futebol e poesia

Em tempos de cobertura dinâmica e instantânea dos fatos, grandes nomes da crônica esportiva e memórias de programas de outras épocas relembram que o assunto já foi tratado de maneira mais poetizada pela imprensa.

No final dos anos 60, o jornalista Milton Pedrosa publicou uma importante antologia sobre a crônica esportiva brasileira, na qual afirma que esta é uma criação do século XX, que surgiu "meio que marginalizada na imprensa, quando o futebol ainda engatinhava. Um João do Rio precisava se disfarçar para fazer reportagem no Fluminense" (João do Rio foi o pseudônimo de João Paulo Emílio Coelho Barreto, escritor e jornalista carioca).

O esporte que deu notoriedade à crônica esportiva foi o futebol, que nem sempre foi a modalidade esportiva a desfrutar de tanta popularidade. Nos primeiros anos dos 1900 eram o turfe e o remo que figuravam como as grandes vedetes esportivas. Só quando deixou de ser um esporte praticado exclusivamente pela elite é que o futebol ganhou o status de paixão nacional.

Foi a criação do Jornal dos Sports, em 1931, que fez o esporte crescer em importância na mídia, especialmente depois que passou a ser controlado por Mário Filho. Literatos de expressão como José Lins do Rego e Vargas Netto ingressaram no esporte depois de consagrados. A presença de Rego neste jornal foi importante para o público entender que um escritor consagrado também pode falar de futebol.

  
Foto: Divulgação
  
Nelson Rodrigues é um ícone do jornalismo esportivo

O período considerado mais fértil para a crônica esportiva no Brasil deu-se com os irmãos Mario Filho e Nelson Rodrigues. Eles foram responsáveis por muita criatividade nessa área, principalmente Nelson. Ao tratar de suas duas paixões, a Seleção Brasileira e o Fluminense, ele criou um universo à parte, capaz de enfeitiçar até os menos empolgados pela bola. Pelos textos de Nelson, desfilaram grandes eventos e heróis do futebol brasileiro.

Responsável pela coluna "Na grande área", publicada no Lance! e em diversos outros jornais brasileiros, atualmente apresenta o Programa "Papo com Armando Nogueira", na SportTV, e participa, toda quarta feira, do programa "Redação SportTV", Armando Nogueira, apontado como um dos maiores cronistas brasileiros, diz que o futebol é o esporte que mais contribui para um cronista se expressar poeticamente, pelo esporte lúdico que é, e, ao mesmo tempo, poético, lírico e patético.

Obras

O esporte esteve presente nas primeiras imagens brasileiras captadas em película, onde aparecem elementos das pioneiras práticas. O Canal 100 foi um cinejornal que passava esportes nos cinemas antes das sessões e inovou na linguagem cinejornalística, no que se refere às filmagens do futebol.

São várias as obras literárias e cinematográficas que podem ser encontradas atualmente, em livrarias e locadoras, sobre grandes craques do futebol brasileiro. Em 2003 foi lançado o filme "Garrincha, A Estrela Solitária", baseado no livro biográfico "Estrela Solitária - Um Brasileiro Chamado Garrincha", de Ruy Castro. O filme é sobre a vida do "demônio das pernas tortas" dentro e fora do campo, confrontando o mito do futebol mundial ao homem humilde do interior.

Outro mito do futebol brasileiro, a quem cabe a alcunha de Rei, também já teve sua história retratada no cinema. "Pelé Eterno" segue a vida do jogador de futebol mais famoso do mundo, começando pela sua pobre e difícil infância, até os seus melhores momentos em campo e mostrando outros nunca vistos, com muitos gols e imagens de suas memoráveis jogadas em campo, depoimentos de ex-jogadores, amigos e celebridades.

O jogador Ademir da Guia também já teve sua história contada no livro "Um Craque Chamado Divino, a Vida e Obra de Ademir da Guia", a partir do qual está sendo produzido um documentário sobre sua vida e carreira, e pretende reunir imagens dos arquivos do Canal 100, da Cinemateca Brasileira e das emissoras Bandeirantes e Cultura.

Saiba mais!

Clique aqui e acesse o site do Canal 100

Clique aqui e acesse o site de Armando Nogueira

 

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