
A temporada de shows "inusitados", continua a todo vapor no Brasil. A seqüência inicial é bem conhecida, Oasis (esgotadíssimo e com um agravante, a banda topou fazer um show extra em SP, porém não havia lugar disponível, então ficou apenas um mesmo), Santana (esse eu não sei o que esperar em termos de público...), Jamiroquai (sem comentários!) e grande surpresa - no momento - é a confirmação de Jack Johnson em abril, dia 7 em Sampa e dia 8 no Rio.
Johnson é havaiano, surfista (ex-profissional, ganhou campeonatos e chegou a ser patrocinado pela Quicksilver), cineasta formado pela Universidade de Santa Bárbara (tem no currículo premiados e cultuados filmes de surf), além de excelente músico e compositor.
Fazendo um som calcado numa mistura de folk/blues/rock/reggae quase sempre acústico, foi descoberto por J.P. Plunier, produtor e amigo de Ben Harper, que acabou produzindo seu disco de estréia em 2001. "Brushfire Fairytales" vendeu um milhão de cópias nos EUA, só no esquema da divulgação "boca a boca", conquistou púbico e crítica com suas músicas relaxantes carregadas de mensagens consistentes, e contou com a participação de B. Harper - que depois deu mais uma força o convidando para abrir seus shows - na faixa "Flake".
No Brasil, o trabalho de Jack Johnson chegou no final de 2003 com seu segundo disco, "On and On", produzido pelo americano-brasileiro Mario Caldato (que tem Beastie Boys, Jon Spencer Blues Explosion, mundo livre s/a e Marcelo D2, entre outros, no currículo), e mantém a sonoridade "cool" e despojada do álbum de estréia. Repete também a formação do competente trio que se completa com Merlo Podlewski no baixo e Adam Topol fazendo percussão e bateria. São canções que abordam, em sua maioria, problemáticas sociais, algumas como "Times Like These" - uma espécie de "o que tiver que ser será", tudo tem um lado bom e ruim, então não fique se lamentando e aproveite sua vida - e "Tomorrow Morning" que, se todo o resto desse errado, sozinha valeria o disco - fala de um cara arrependido depois de uma "pisada na bola" tentando consertar as coisas -, fizeram a cabeça da galera brasileira e construíram os alicerces dele por essas bandas. Este foi o "pulo do gato" do cantor. Depois da entrada "oficial" de sua música no mercado veio o disco "In Between Dreams" (2005) com a super executada em rádios e televisão "Sitting, Waiting, Wishing" (o vídeo clipe é sensacional!) e muito recentemente ele compôs nove canções inéditas - de um total de treze - para a trilha sonora de um filme, "Curious George" - em pouquíssimas palavras, trata-se da história de um macaquinho curioso e mudo -, o álbum chama-se "Sing-A-Longs & Lullabies for the Film Curious George" e traz inclusive uma participação do Ben Harper com uma música de sua autoria em duo com Jack numa versão acústica de "With My Own Two Hands".
A maneira alegre e positiva com que Jack compõe suas letras e música é um "ponto chave" que conta muito a seu favor. Tratado como uma lenda viva por publicações como a "Surf Magazine", pela sinceridade consigo mesmo e pela competência e facilidade com que trafega em vias tão distintas, ele dá uma dica aos jovens músicos, diz que o importante é você tocar com prazer seja num "coffee shop" ou num estádio lotado, pois o público precisa sentir que você está se divertindo enquanto leva um som.
[Para ler as colunas anteriores, clique no link "Arquivo" no alto da página e escolha a semana desejada]
E-mails para o colunista:conexao021@gmail.com
|