Vitória (ES), edição de 17 de março de 2006    
     Capa       Agendas       Cinema         Dicas de CD       Exposições       Rapidinhas       Arquivo       Expediente         Fale Conosco
Entrevista: Zeca Baleiro fala de Sérgio Sampaio



Felicia Borges


  
Foto: Divulgação
  

"Uma viagem sonora por várias referências musicais e poéticas". Assim Zeca Baleiro define o seu novo disco, "Balada do Asfalto & Outros Blues". A turnê do novo show do cantor chega a Vitória nesta sexta-feira (17). Zeca vem ao Estado para uma noite de autógrafos de lançamento do disco póstumo "Cruel", sobre Sérgio Sampaio.

"Baladas do Asfalto & Outros Blues" é o quinto álbum de inéditas de Zeca Baleiro e traz um leve toque "on the road". "Adoro a estrada, é a melhor metáfora da vida", disse em entrevista por e-mail ao Século Diário. O disco foi gravado ao vivo no estúdio e pela primeira vez o artista contou com a participação de uma banda fixa.

No repertório do show, canções do novo disco como "Meu Amor Minha Flor Minha Menina", "Flores no Asfalto", "Alma Nova", "Balada do Céu Negro" e "Versos Perdidos"; releituras de Benito de Paula, Roberto Carlos e Secos & Molhados; e algumas surpresas e sucessos rearranjados, adaptados à sonoridade mais "baladeira" do disco com momentos rock'n'roll.

Cruel

A vinda de Zeca Baleiro à Capital capixaba não se resume à apresentação do novo disco. Zeca vai fazer uma noite de autógrafos logo após o show, numa sala vip em anexo ao local do evento, para lançar sua mais nova produção: o disco póstumo "Cruel", de Sérgio Sampaio. O trabalho traz canções inéditas do músico capixaba falecido em 1994 e produzido a partir de gravações que estavam em poder da família do artista.

No total, treze canções inéditas, além da faixa título, já gravada por Luiz Melodia no CD "14 Quilates", compõem o repertório de "Cruel". O disco está sendo lançado pela Saravá Discos, inaugurando o novo selo do cantor destinado a lançar seus projetos especiais.

  
Foto: Divulgação
  
Disco póstumo de Sérgio Sampaio chega ao mercado pelas mãos de Zeca Baleiro
Para que o trabalho fosse viabilizado foi preciso quase um milagre tecnológico de pegar a voz do Sampaio registrada em fitas K-7 em apresentações ao vivo ou gravações caseiras para acrescentar arranjos novos, resgatando dessa forma obras-primas nunca lançadas. Sérgio Sampaio pretendia transformar esse material no seu quarto LP, e, segundo Baleiro, ele estaria em um momento muito maduro, tanto como compositor quanto como cantor, momento este que foi interrompido pela morte prematura.

Além de "Cruel", o selo também lançou um disco com poemas da escritora paulista Hilda Hilst, morta em 2003, musicados por Baleiro, que conta com a participação de dez cantoras: Zélia Duncan, Verônica Sabino, Ná Ozzetti, Maria Bethânia, Ângela RoRo, Rita Ribeiro, Olívia Byington, Mônica Salmaso, Jussara Silveira e Ângela Maria.

O show de Zeca Baleiro acontece nesta sexta-feira (17), às 22h, na sede social do Álvares Cabral, em Vitória. Ingressos a R$200 (mesa com 4 lugares no setor B) e R$240 (mesa com quatro lugares no setor A).

Confira a entrevista!

Século Diário - Em seus trabalhos você transita por ritmos, sons e propostas bastante diversas tendo como resultado discos bem diferentes um do outro. Alguma preferência de ritmos?

Zeca Baleiro - Não, gosto da música popular em todas as suas vertentes e variantes. Sempre ouvi de tudo, do samba ao rock, do brega ao pop. Não sou um especialista, prefiro ser um clínico geral.

SD - Como foi feita a produção do disco com poesias da escritora Hilda Hilst e como ficou para você o resultado? Qual a essência e a importância desse trabalho?

ZB - A Hilda é uma grande referência para mim. Lembro que fiquei chapado quando conheci sua literatura, algo desconcertante. Depois nos conhecemos, nos tornamos amigos e surgiu este projeto nas nossas cabeças. Adoro o resultado, e espero que sirva para que mais pessoas se convertam à poesia dela.

SD - No projeto Balaio do Sampaio, você interpretou uma canção de Sérgio Sampaio. Agora você inaugura seu selo Sarava com o CD póstumo de Sérgio Sampaio, trazendo inéditas do artista capixaba. Qual sua relação com a obra de Sampaio?

ZB - Sou apaixonado pela música do Sérgio, que conheci quando era menino. Meus irmãos mais velhos tocavam violão, e músicas como "Cala a Boca Zebedeu", "Bloco na Rua" e "Aquele Que Disse" estavam sempre no repertório deles. O Sérgio era, além de um baita poeta e melodista, um ótimo cantor. Lembro quando o ouvi cantando no rádio, fiquei de cara. Já adolescente, fui atrás de seus discos, que não eram fáceis. Depois nos conhecemos numa noite no Circo Voador em 89 e conversamos muito rapidamente. Depois que gravei no Balaio do Sampaio, tornei-me amigo da Angela e do João, sua ex-mulher e seu filho, e eles me confiaram a tarefa de fazer esse disco com esse material inédito. Foi algo que me deu tanto trabalho quanto orgulho, pois acho que ficou um belo disco. Penso que o Sérgio não teve em vida o reconhecimento que merecia ter, e oxalá esse disco possa fazer jus à sua imensa importância na cena musical do Brasil.

SD - Zeca, como é para você lançar esse disco com algumas músicas inéditas de Sampaio, que apesar de ter sido um grande compositor e cantor, até hoje não teve, infelizmente, sua contribuição à nossa música reconhecida? Qual a qualidade dessas composições e você acredita que essa seja uma oportunidade de "apresentar" Sérgio Sampaio ao grande público?

ZB - Olha, adoro todos os 3 lps do Sampaio, cada um tem a sua beleza, a sua magia. Mas as canções deste "Cruel" mostram que ele estava muito maduro como compositor (e como cantor também). Acho que há uma evolução estética muito visível no processo de criação do Sérgio. Essas canções da última safra formam um repertório primoroso, melhor do que qualquer coisa que esteja tocando nas rádios hoje. Sem falar nas canções que ficaram de fora do CD, também inéditas e igualmente boas. Estamos restaurando os áudios e vamos disponibilizar essas canções no site dele, que está em construção (www.uol.com.br/sergiosampaio). A intenção é criar um grande e público arquivo, onde cantores e intérpretes possam buscar repertório. O disco está sendo vendido no site www.saravadiscos.com.br e em algumas poucas lojas. Pelos inúmeros e-mails que têm chegado ao meu site falando do trabalho, o disco para mim já é um sucesso.

SD - Em relação a seus outros projetos paralelos, a quantas anda o "Baile do Baileiro"? Qual é a proposta desse trabalho e qual a previsão de lançamento?

ZB - Fiz uma única apresentação do "Baile do Baleiro", em dezembro de 2004. Parei porque não conseguimos patrocínio e era um projeto caro demais. Mas pretendo retomá-lo em breve. É uma grande festa musical, em formato de baile antigo, onde há espaço para todas as tribos musicais se expressarem, do samba ao hip hop, da música eletrônica ao choro, com atenção especial para a memória musical brasileira.

Saiba mais!

Clique aqui e visite o site do cantor Zeca Baleiro

 

Leia Também:
    
Agendas
Turismo e Cultura do ES

Século Diário
Notícias do dia

Veículos
Novidades sobre o mundo automobilístico