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Foto: Divulgação
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Mesmo havendo se iniciado nas letras durante a sua atuação na Medicina, pelo interior de Minas Gerais, João Guimarães Rosa só ficou mesmo conhecido após a publicação de Grande Sertão: Veredas, em 1956. Os 50 anos de aniversário de uma das obras mais instigantes da Literatura Brasileira valem para relembrar também certas passagens.
A obra considerada "prima" pela maioria dos pesquisadores, estudiosos e críticos na área costuma provocar, mesmo quase meio século depois, um certo impacto no leitor. O personagem principal, Riobaldo, deixa clara a idéia de resistência e esplendor misturada à dureza do sertão.
O movimento das frases, dentro de uma consciência mítica e poética do autor, imprimiu na Literatura uma transformação do que era denominado de Regionalismo. "Sertão é isto, o senhor sabe: tudo incerto, tudo certo", diz Riobaldo, em meio às suas descrições abundantes sobre amor, medo, Deus e diabo, jagunço, amigo, conselheiro, natureza, guerra e paz.
Ao poeta e escritor paraibano Ascendino Leite, Rosa concedeu uma entrevista para O Jornal, do Rio de Janeiro, em 1948. Ascendino fala de suas impressões: "Guimarães Rosa tem o encanto natural da cordialidade". E o entrevistado, durante vários momentos, carrega a sua fala do que não poderia se desvencilhar: enigmas, ao mesmo tempo paisagens do mundo interior, dizendo que "natureza não é cenário, e sim personagem".
A entrevista, junto com tópicos biográficos de ambos, além de ilustrações concedidas pelo Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), pode ser lida em "Ascendino Leite Entrevista Guimarães Rosa", organizado pela professora Sônia Maria van Djick Lima, e publicado pela Editora Universitária (João Pessoa-PB/1997).
O político Rosa
Guimarães Rosa não era observado somente como escritor, mas como homem público e ligado à vida política e administrativa. O mineiro do noroeste de Minas, da cidade de Cordisburgo, além de médico, foi diplomata em Hamburgo, secretário de embaixada em Bogotá, conselheiro diplomático em Paris, ministro de primeira classe (embaixador) e, ainda, chefe do Serviço de Demarcação de Fronteiras. Faleceu em 1967, no Rio, três dias após obter sua vaga na Academia Brasileira de Letras.
No início da década de 1970, Alfredo Bosi em sua "História Concisa da Literatura Brasileira", dissertou sobre Rosa, tratando o autor como um elemento da própria alquimia sertanista, participante de um autêntico jogo de palavras. Sob o olhar de Bosi: "Após sua leitura, começou-se a entender de novo uma antiga verdade: que os conteúdos sociais e psicológicos só entram a fazer parte da obra quando veiculados por um código de arte que lhes potencia a carga musical e semântica".
Como parte dessa compreensão potencial, as cenas em prosa viraram cenas em película em "Grande Sertão" (1965), adaptação, produção e direção de Geraldo Renato Santos Pereira. Em teatro, incontáveis montagens de trechos, nas miragens pelas veredas, nos diálogos com um interlocutor quase misterioso, nos embates da jagunçagem, nas orações.
Outra compreensão, nas trilhas da academia, também se faz presente. A cada ano, várias dissertações e teses, além de ensaios e artigos publicados por universidades e faculdades do país. Temáticas não faltam, em áreas como Literatura, Lingüística, História, Sociologia, Filosofia... E talvez como, Riobaldo, ao lembrar de Diadorim, pode-se dizer que o pensar é grande, grande como o sertão.
Edição especial
Este ano, a editora Nova Fronteira, em comemoração à data, está lançando três edições: uma popular, uma tradicional e uma terceira com o selo da biblioteca Nacional, acompanhando um CD.
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