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Foto: Divulgação
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Há quem diga na Itália, a terra natal de Pinocchio, que as aventuras do boneco de madeira são bastante conhecidas no mundo. Conhecidas o suficiente, para que fiquem em terceiro lugar dentro do ranking dos livros mais vendidos, como a Bíblia e o Alcorão. A obra pode ser considerada também como uma explosão editorial, em diferentes idiomas.
Possibilidades à parte, o que ocorre este ano e que pode ser comprovado à luz do mercado de livros é a edição de bolso pela L&PM. O livro de bolso, aquele que era chamado até a segunda metade do século XX como a literatura de "ônibus", vai sair na praça por R$ 12,00.
O preço, até dentro dos parâmetros que o gênero exige, pode ser alto para os que não conhecem a história do boneco. Pode ser baixo para os que são super fãs da obra. E pode ser justo para que utilizam a história, tratada como conto ou como fábula, como alvo de estudo.
Prato cheio para estudiosos
Os estudiosos não são somente os que investigam a vida do autor da obra, o jornalista e crítico de Música e Teatro Carlo Lorenzini, que teria mudado o nome para Carlo Collodi, durante sua atuação na imprensa italiana.
Nascido em Florença em 1826 e falecido na mesma cidade, em 1890, Collodi adotou o sobrenome em homenagem ao local de nascimento da sua mãe, entre Pistoia e Lucca, a oeste da cidade florentina.
"As aventuras de Pinóquio" transcende os que pensam a literatura. A psicologia, em várias correntes, vem se debruçando sobre a história, originalmente contada para crianças, mas com lições para todas as idades.
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Foto: Divulgação
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Pinoquio foi construído por um ingênuo marceneiro, Gepeto, visitado por uma fada-madrinha que o deixou com a espinhosa tarefa de aprender a ser gente. O grilo falante entra na história justamente para resolver conflitos, alguns provocados pelo trapaceiro João Honesto.
A filosofia também se utiliza de alguns questionamentos, a partir desses dados. Qual seria o papel do "pai" de Pinóquio? A fada seria a mãe? O grilo falante, a consciência? Como castigo, nos momentos de vacilação, o boneco-garoto ganha um aumento de nariz, a cada vez que prega uma mentira.
Às avessas com a escola
No próximo dia primeiro, celebrado o Dia da Mentira, é uma hora que parece apropriada para pesquisadores abordarem o tema. Uma das abordagens pode ser "Pinóquio às Avessas", livro editado pela Vênus em 2005. O autor é o celebrado cronista, educador, bacharel em Teologia, doutor em Filosofia, psicanalista e professor emérito da Universidade de Campinas (Unicamp), Rubem Alves.
Na versão de Alves, o conto é apresentado "às avessas" para provocar e, ao mesmo tempo, promover uma reflexão sobre as escolas que não consideram o potencial criativo da criança. O sonho e a transformação como chaves para o aprendizado infantil se desenvolve no íntimo de um personagem, que imagina um lugar onde suas perguntas serão finalmente respondidas com respeito. O avesso seria, então, o menino virando um boneco.
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