Semana passada li duas notícias que me deixaram intrigado e me lavaram a esta reflexão. Falo da substituição de diretores do sindicato patronal do transporte coletivo (Setpes) e de uma inscrição no carro de um sindicato dos servidores públicos dizendo "em defesa do serviço público de qualidade".
No primeiro caso, o que mais preocupa é que os sindicatos são instituições criados para a defesa de classes. Aconteceu uma coisa realmente estranha: um dos diretores criticou a falta de segurança no Estado e foi afastado do cargo, sendo substituído por um militar de patente. Ora, o que tem a ver um militar com as empresas de transporte coletivo?
Nada, absolutamente nada. Esse fato leva à seguinte indagação: o governo, então, é parte da área patronal no serviço de transporte coletivo? A grande preocupação que paira na sociedade é que a Ceturb, órgão do governo, passa a defender os interesses patronais, em vez de se voltar para o interesse da coletividade. Respeitando-se a dignidade de um militar, convém ponderar que o sindicato patronal deve ser dirigido por empresários do setor. Ou será que tem militar explorando, como patrão, esse serviço?
O segundo ponto deste comentário é que os sindicatos da área dos servidores públicos estão lançando campanha em defesa do servidor. É importante que isso aconteça, porque a degradação do serviço público é um fato incontestável. Mas para que essa campanha tenha êxito é preciso que as lideranças saiam do comodismo e pensem mais na sociedade. Fazer greve sem pensar nas conseqüências é contribuir para essa degradação. Paralisações nas áreas de saúde e educação, assim como na Previdência, por exemplo, só prejudicam a população. E que dizer de uma greve na polícia? É o próprio caos.
Greve de servidor público não pode ser banalizada. É coisa muito séria, recurso extremo a ser adotado quando as negociações entram num impasse insuperável. E não é isto o que vem acontecendo. Os sindicatos reivindicam, o governo faz contraproposta, a categoria não aceita, e, sem mais nem menos, decreta greve. Não é por aí. Vamos pensar nas crianças que precisam estudar, nas pessoas que precisam de assistência médica, na necessidade de que o serviço público esteja realmente a serviço do público. E não como meio de se fazer política. Isto tem nome: chama-se desvio de conduta.
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