Águas de março IV




José Roberto Mignone


Outro dia desses, o trecho de praia em frente à antiga Escola de Velas Laars Grael, na Curva da Jurema - que, aliás, está desmistificando de nome, pois o mar está acabando com ela - estava tomado de algas marinhas, puras algas marinhas. Como a prefeitura da capital insiste em retirar as algas da areia, na infeliz missão de limpar a praia, havia uns vinte homens-gari tentando tirar as algas, que naquele dia eram muitas e muitas.

Temos visto, no desenrolar do tempo, que a prefeitura, ao limpar a praia, ou as praias da Capital, tira também as algas num trabalho pesado e insano. Insano porque aquilo verde é natureza e não lixo. Não é necessário dizer que o mar deposita na areia e o próprio vem depois e retira. Chama-se ciclo da natureza, para quem não entende disso. A prefeitura parece não entender. E olhem que ela é petista, que tanto defende essas coisas de natureza, etc. Se bem que tudo deles já era em termos de bandeira.

Naquele dia, um sábado, dava pena ver o esforço daqueles homens juntando algas, brigando contra as ondas, que insistiam a deixar mais, enchendo aqueles carrinhos e levando não sabemos para onde, talvez para alguma usina transformadora e vendida depois como solução orgânica para algum desses países, sedento de coisas naturais, já que no deles não existe mais. Dá para pensar assim!

E o engraçado que tudo isso era bem em frente aos destroços da Escola Laars Grael, que a própria prefeitura derrubou, ante as denúncias do próprio Século Diário e depois de A Gazeta, mas que continua lá, dias após dia, enquanto gastava-se tempo e mão-de-obra para tirar as coitadas das algas marinhas.

Se bem que essa gestão - e não dá para empurrar para próxima - terá de tomar providências contra a erosão da maré, que está tomando a Curva da Jurema de assalto, derrubando os coqueiros e chegando perto dos quiosques. E essa providência vai custar muito dinheiro e pode envolver as eleições, com o esperto do governador se oferecendo para aterrar a Curva em troca da desistência do candidato petista, por exemplo. Aterrar aquele trecho de praia envolve tempo, prestígio político e muito dinheiro. Será que viajei muito ou existem essas possibilidades?

"...São as águas de março fechando o verão, é a promessa de vida no teu coração. É madeira de vento, tombo da ribanceira, é o mistério profundo, é o queira ou não queira. É o vento ventando, é o fim da ladeira, é a viga, é o vão, festa da cumeeira. É a chuva chovendo, é conversa ribeira, das águas de março, é o fim da canseira...". Mestre Jobim.

PARABÓLICAS

Torino Marques, por trabalhar numa emissora de menor expressão, anda sumido do mercado, só emprestando sua voz para a exclusividade da Casa do Brinquedo.

A Gazeta publicou um anúncio da CBN FM, onde havia uma imagem de futebol disputado no interior e um texto sem nexo em relação. Muito ruim para os padrões deles.

Podemos atirar sem errar. Arnaldo Prieto, atualmente em ação na Band, vem a ser o melhor narrador de futebol na TV, na ausência de Luciano do Valle.

Agora as agências de propaganda estão aproveitando as músicas brasileiras para servir de inspiração e composição de anúncios, a exemplo dos Estados Unidos.

MENSAGEM FINAL

A cada bela impressão que causamos, conquistamos um inimigo. Para ser popular é indispensável ser medíocre. Oscar Wilde

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