Fotos: Arquivo Pessoal

No entusiasmo de poder voar com asas de penas e cera, Ícaro desobedeceu ao conselho do seu pai Dédalo e elevou-se tanto no ares que perdeu as asas, precipitando-se no mar. Assim, como na mitologia grega, são os homens pássaros modernos, com suas asas de plástico e silicone, cortam o céu desafiando a natureza em busca de liberdade e fortes emoções. Durante toda esta semana, até sábado, esperando ansiosamente bons ventos e boas térmicas, 125 pilotos de 40 países participam na bucólica cidade de Castelo, no sul do Estado, da Copa Mundial de Parapente - Paragliding World Cup. A etapa seria realizada na Colômbia, mas por motivos de segurança foi transferida para o Brasil.
Castelo sediou no ano passado a primeira etapa do Campeonato Brasileiro, que também foi uma etapa do Pré-PWC. O nome da cidade vem do tempo em que os mineradores percorriam os caminhos entre as montanhas da região e as associavam às formas de um castelo. Localizada a 142 quilômetros de Vitória, a cidade é repleta de nascentes, córregos e cachoeiras que, em função do clima tropical megatérmico da região (médias de 28 graus no verão e 20 no inverno seco), oferecem uma boa opção de lazer para os visitantes.
Castelo possui duas plataformas para decolagem de vôo livre: a Rampa de Ubá com 840 metros e ventos predominantes de nordeste e norte, e a Rampa de Apepinos a 13 km de Castelo em estrada de terra, com altitude de 650 metros, desnível: 560 metros, com ventos predominantes sul e sudoeste. A melhor época do ano para vôos acontece de setembro até março.
Além de Castelo, no Espírito Santo, o Paragliding World Cup - PWC - irá passar pela Suíça, Áustria, Eslovênia e Ilhas Reunião, no continente africano. Esta é a segunda vez que o Brasil sedia uma etapa desta competição, que já foi realizada no Brasil em 2000, quando Governador Valadares, em Minas Gerais, recebeu a abertura do Paragliding World Cup.
No ano passado, o Brasil teve recorde de participantes em etapas da Copa do Mundo. Além do hexacampeão brasileiro, o capixaba Frank Brown, que há quatro anos mantém-se entre os cinco primeiros na classificação geral do PWC, em 2005 o Brasil foi representado por mais cinco pilotos: Luciano Tcacenco, o Bafinho, que conquistou um excelente terceiro lugar na etapa da Sérvia e terminou o ano entre os 30 primeiros colocados; Cristiano Ricci, o Vermelho, que estreiou este ano e participou das etapas da Sérvia, Itália e Portugal; Rafael Carvalho, o Preguiça, que voou na Itália e Portugal, Rodrigo Monteiro, que conquistou a sexta colocação na etapa da Bulgária; E, finalmente, tivemos pela primeira vez uma representante no feminino, a carioca Kamira Pereira.
O homem pássaro capixaba, Frank Brown, um dos responsáveis pela realização da Copa do Mundo no Espírito Santo, é o próprio Ícaro encarnado em pleno século XXI. Ele sabe de tudo e conhece como poucos, os milenares segredos de voar solitariamente, sentindo no rosto o frescor da brisa gelada das correntes que impulsionam para longas distâncias. Inegavelmente, ele é o grande nome desta modalidade no Brasil e uma referência de atleta moderno.
Plim-plim
A Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão da Copa, publicou dois anúncios divulgando uma restrição de exibição pública das partidas da Alemanha. Muita gente não viu os avisos. E mesmo quem viu custou a entender do que se tratava.
A Globo rapidamente esclareceu que a retransmissão dos jogos, seja onde for, é permitida. Proibido é levar qualquer tipo de vantagem econômica sobre a transmissão.
Donos de bares podem deixar a TV ligada, mas não podem cobrar ingressos e nem mutilar a transmissão, ou seja, tem que deixar rolar o jogo e os comerciais.
Para muitos, torcer no bar reproduz o clima de estádio.
GP da Madrugada
Varamos a madrugada para acompanhar a vitória de Giancarlo Fisichella no GP da Malásia. Saindo na pole, Fisichella conquistou a terceira vitória da carreira. Foi seguido pelo parceiro de Renault, Fernando Alonso. Button fechou o pódio.
Já Barrichello ficou em décimo. Enquanto Button comemorava com champanhe sua vice-liderança no Mundial, o brasileiro caminhava pelo paddock, decepcionado, cabisbaixo, dizendo não entender o que se passa com ele.
Rubinho precisa se benzer.
Ronaldo/Romário
A grande torcida rubroNegra sonha com mais dois reforços: a dupla R & R.
Sem pátria amada, Ronaldo quer voltar para o Brasil e já declarou sua paixão pelo Mengão. Já Romário, também com os brios feridos no Vascão, olha de canto de olho para o ninho do urubu.
Promete ser o assunto da semana.
Tolerância zero
O Parlamento Europeu aprovou em Estrasburgo, na França, uma resolução contra o racismo no futebol, em que pede à Uefa que aplique punições aos clubes que infringirem as regras - incluindo sua exclusão das competições.
O documento pede à Uefa e aos demais organizadores de competições na Europa que assegurem que os juizes tenham a opção, de acordo com diretrizes claras e estritas, para interromper ou cancelar jogos caso sejam cometidos abusos racistas sérios.
Além disso, pede-se que sejam consideradas possíveis punições esportivas às associações nacionais e aos clubes cujos jogadores cometerem ofensas sérias, incluindo a possibilidade de eliminar das competições os que persistirem nestas atitudes.
Tolerância zero ao comportamento racista.
Enfermaria
Edmílson, zagueiro-volante do Barcelona e da seleção brasileira, foi para enfermaria devido a uma ruptura no bíceps femoral da perna direita. O brasileiro ficará afastado dos campos de duas a três semanas. O zagueiro se submeteu a uma ultra-sonografia que revelou uma ruptura de dois centímetros na perna direita.
Edmílson não jogará a partida de ida contra o Benfica pela Liga dos Campeões nem jogará contra Getafe, Málaga e Real Madrid pelo Campeonato Espanhol. Provavelmente, também não estará apto a disputar a partida de volta contra a equipe portuguesa dia 5 de abril no Camp Nou.
Falha nossa
O diário "TZ", de Munique, traz na edição deste domingo uma retratação oficial a respeito da acusação feita durante a semana ao meia Bastian Schweinsteiger. O jogador do Bayern e da seleção alemã foi acusado de estar envolvido em um esquema de resultados arranjados.
Segundo o jornal, o envolvimento de Schweinsteiger no caso, assim como a participação de Paul Agostino e Quido Lanzaat, jogadores do Munique 1860, não procede.
Fairplay
Errar é humano, só não podemos permanecer no erro. (Boca do povo).
Trocatroca com a coluna:
rmpaoliello@uol.com.br
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