A prefeitura de Vitória está prestes a conceder licença ambiental para o Iate Clube construir um novo píer que aumentará, enormemente, os impactos ambientais sobre a Praia do Canto, inclusive sobre a areia. A prefeitura deve ter cautela, pois pode cometer absurdos capazes de comprometer definitivamente o lazer popular na região.
Os atuais píeres do Iate Clube, com 100 metros de comprimento, foram construídos com o lançamento de pedras mar adentro, impedindo a circulação da água, há cerca de duas décadas. A ausência de circulação da água tornou a praia tão contaminada que a prefeitura foi obrigada a interditá-la para banho, permanentemente.
O projeto do novo píer é mais moderno, mas é muito maior: terá 150 metros. Aumentará os impactos ambientais na área. Para justificar sua construção, o Iate Clube alega que tem mais de mil sócios, e que os seus píeres norte e sul são utilizados por 152 embarcações à vela e a motor, além de 300 embarcações de pequeno porte, à vela, como lasers, snipes e optmist. O Clube foi fundado em seis de agosto de 1946, e quer ampliar a oferta de seus serviços.
Se for atendido, como é esperado, ganha o Clube, perde a comunidade. A área para a prática de esportes náuticos pela comunidade será muito reduzida. Também haverá aumento da poluição que, como já se viu, é enorme.
Na defesa da comunidade, vozes isoladas, como a do médico Gabriel de Oliveira. Do alto da autoridade de morador da Praia do Canto desde 1951, o médico bem que tentou se manifestar durante audiência pública realizada para apresentação do projeto, uma exigência da lei. A Secretaria de Meio Ambiente de Vitória praticamente o calou.
Na verdade, licenciar um píer com 150 metros de comprimento é um absurdo. Talvez, após discussões livres e democráticas, ouvidos especialistas no assunto, fosse possível autorizar um terceiro píer, do tamanho e paralelo aos atuais, e construídos de forma que a circulação da água não fosse impedida.
E, como condicionante ambiental a ser cumprida previamente à construção do novo píer, que fosse determinado ao Iate Clube, a abertura de canais nos atuais píeres - em quantidade, largura e profundidade que estudos técnicos teriam que indicar - para recuperação, ainda que em pequena escala, do que o Iate Clube destruiu na Praia do Canto.
Mas parece que a luta de uns poucos, Gabriel de Oliveira à frente, será em vão.
Se eles não convenceram o poder público, leia-se prefeitura de Vitória, a Praia do Canto corre o risco de, definitivamente, acabar como espaço para lazer popular e para banho.
O que será uma lástima!
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