Vitória (ES), edição de fim de semana
 
Para presidente, Garotinho ou Heloísa Helena. Já no ES...
'Se Vidigal desistir, posso ir para o palanque de Hartung'





Cristina Moura


A entrevista desta semana traz um personagem inusitado. Ou melhor, um personagem com depoimentos inusitados, principalmente sobre o quesito segurança pública. Trata-se do senador Magno Malta (PL), que conversou com o jornalista e diretor de Século Diário Rogério Medeiros, no seu gabinete, em Brasília.

É por isso que, em alguns momentos, o leitor vai se deparar com o entrevistado dizendo "levar para o Espírito Santo". Esse movimento tem a ver com o que o governo federal tem proporcionado à imagem do governo Paulo Hartung, segundo Malta.

Com a fé discursiva que lhe é característica e sua postura de oposição ao governo estadual, o senador declara sua amizade e lealdade ao ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal (PDT). Com os Max, diz não ter sido chamado para uma conversa, mas há até possibilidades de apoio, caso Vidigal desista do páreo. Essa possibilidade de apoio também se estende ao governador Paulo Hartung, no caso principalmente de Vidigal não sair candidato ao governo. Para o governo federal, dois nomes - Garotinho (PMDB) ou Heloísa Helena (P-SOL). Lula estaria descartado.

Século Diário: - Em qual palanque o senhor vai subir nas eleições deste ano?

  
Foto: Riokan
  
Magno Malta: - Eu sempre defini minhas coisas muito cedo, eu absolutamente não sei. Hoje, não sei. Porque eu penso, assim, que o governador Paulo Hartung é muito criticado por quem não pertence ao grupo dele. Ele tem um grupo. Mas a gente tem o limite da crítica. Tem que respeitar. Ele tem um grupo. E quem está perto dele é do grupo dele. Diferente de nós. Aqui não tem grupo, não é? Aquilo que eu achei um dia não é. As pessoas, numa batalha pelos seus próprios interesses e uns achando que pode usar os outros no processo eleitoral. Então, sinceramente, eu não sei. Eu acho que, nesse momento, se você discutir as alianças que foram feitas em duas eleições passadas, uma para governador e senador e outra para prefeito, onde essas alianças deram certo. Nós vencemos na Grande Vitória... Eu, o Max... Venci em quase todo o interior. As eleições de prefeito nós ganhamos em quase tudo. Fizemos uma grande vitória. PDT, PL, PT... Eu, pelo menos, nunca sentei para discutir de política com ninguém, espaço político, nada, absolutamente. Vejo cada qual correndo para o seu lado, num momento em que eu percebo que, se essa lógica fosse verdadeira, que a bola da vez era o Vidigal. Até porque o Vidigal tem uma história bem sucedida como administrador. E o Estado do Espírito Santo, nesse momento, quer ter à disposição uma boa gestão. Ele tem conteúdo para discutir gestão. Não vai ter dificuldade de explicar candidatura, gestão de Vidigal na Serra. Se fosse um grupo, qualquer grupo, minimamente, que seja grupo, tem sempre os elementos, os nomes certos. O partido, por menor que seja, se tem grupo... 'Fulano agora vai pra isso, fulano vai isso, tal e tal...' Aí um espera sua vez, outro espera sua vez. Eu acho que essa, se existisse um grupo, seria o nome de Vidigal.

- O que o senhor está dizendo é que os nomes se uniram na Grande Vitória e agora não se mantêm juntos...

- É uma desarticulação completa. Nisso aí, o governador tem o que ensinar. O grupo dele é restrito, é pequenininho, mas é um grupo. Certo? Quer dizer, se você disser que reuniu o prefeito de Vila Velha, o prefeito da Serra, eu, Sérgio Vidigal, para juntos discutirmos uma proposta para o Espírito Santo, discutirmos como enfrentar a eleição, quais os pontos, quem está de fato mais preparado, é a vez de quem... Como? Não. Cada qual vai decidindo as coisas conforme seu próprio projeto político pessoal. E achando que, nisso aí, pode incorporar os outros para realizar seu próprio projeto político pessoal. Nesse esquema aí não estou dentro, não.

- Mas o senhor tem dito que, se Vidigal for candidato, o senhor sobe no palanque dele.

- Se Vidigal for candidato... Vidigal é o meu candidato. Por duas razões: uma, por questão de lealdade. Eu fui deputado estadual com Vidigal. Vidigal é um cara que teve um mandato honradíssimo. Como deputado estadual, ganhou sua primeira eleição para prefeito. Eu participei daquele processo todo, chegava a fazer cinco eventos por noite. Ele foi um bom prefeito, mantivemos a nossa amizade, que cresceu, aliás. Eu acho interessante, a coisa que tinha que ser em relação a todo mundo. Lembro quando eu era candidato a deputado federal, ele era prefeito e me chamou para conversar. 'Eu preciso ganhar espaço' (ele disse). Eu disse: não tem problema nenhum. Pode ficar à vontade. Você só não pode fazer um decreto e me proibir de ir na rua falar com o povo. Pode me deixar à vontade, que com o povo eu me resolvo. Quando eu saí para senador, a história tem que registrar isso... Foi a primeira manifestação pública que eu recebi, foi de prefeito mais bem avaliado do Espírito Santo, com a melhor impressão, vir a público e dizer: meu candidato a senador. Então, no entender que ele tem capacidade de fazer um discussão no processo eleitoral sobre gestão no Espírito Santo e, por questão de gratidão e de lealdade, não tenha dúvida de que ele só não será meu candidato se ele não quiser ser candidato a governador. Mas se ele for candidato a governador...

- Ele é o seu candidato...

- Eu entendo hoje que caminho com ele.

- Na sua percepção, o governador Paulo Hartung é candidato à reeleição?

- O governador é candidato a governador.

- Não tem dúvida disso não?

- Não. Não tenho dúvida nenhuma. Quando ele fala de ir para o Senado é dando um 'ninja', entendeu? Essa coisa do sujeito que tem muita experiência política... O governador tem muita experiência política. Quando ele sinaliza para um lado, pode ir para o outro que você vai encontrá-lo lá no outro.

- Dizem que é igual à tática do saci', que quando apita longe, na verdade está perto...

- (risos) Mas eu acho que ele é candidato a governador. E acho com uma intimidade para pleitear. Ele é um bom gerente. Algumas coisas, não dá para tapar o sol com a peneira. Ele é um bom gerente. É bem verdade que Lula, enquanto presidente da República, é o melhor governador que o Espírito Santo já teve nesses últimos doze anos. Lula fez no Espírito Santo o que não fizeram em vinte anos. É preciso reconhecer isso. E não foi só o governo. O governo do Estado, o governador Paulo Hartung, tenho que respeitar o gerente que ele é, mas foi junto com a bancada federal. A luta dos royalties do petróleo, foi junto com a bancada federal... Resolveu o problema do pagamento dos funcionários públicos do Espírito Santo, os investimentos que Lula levou, os investimentos que foram feitos nos portos do Espírito Santo, o dinheiro que Lula levou, essa central criada por Furnas do Espírito Santo... O Espírito Santo deixou de ser fim e passou a ser meio na questão da energia elétrica, foi dando segurança para o empresariado... As estradas vicinais... tudo tem sido feito pelo secretário Ricardo Ferraço, com a estradas vicinais... É dinheiro da Side, que foi uma luta aqui para que esse bolo do dinheiro da Side fosse dividido. Eu quero ressaltar que não tem como tapar o sol com a peneira de jeito nenhum. Para mim, Ricardo Ferraço, com quem não tenho ligação política nenhuma, é o melhor secretário que o governador tem. É o mais operacional. Podia ser federal... 'Luz para todos', federal.

  
Foto: Riokan
  
Tudo é federal! Agora, o governador é um bom gerente, não pode se comparar ao Espírito Santo dos últimos doze anos de jeito nenhum! Ninguém pode ser irresponsável para dizer uma coisa como essa. Agora, questões fundamentais, como a questão da segurança pública, é fundamental a questão da saúde... Então, essas coisas todas o governador vai ter que explicar muito no processo eleitoral. Eu penso que, se ele tem um projeto para os próximos quatro anos... e até acho que esse é um problema velho no Espírito Santo, o problema que está enraizado no Espírito Santo. Quer dizer, o problema da segurança pública, que vem se agravando, e não foi criado no governo Paulo Hartung. É um problema velho. Só que se esperava que se tivesse um projeto já em execução, para médio e longo prazos e medidas rápidas. E medidas rápidas tem como fazer. Fernando Henrique construiu um presídio em seis meses, para Jorge Viana, que era do PT, lá no Acre, onde está presa a quadrilha de Hidelbrando Pascoal, que é de segurança e eles nunca fugiram de lá. Até o coronel Ferreira já foi colocado lá. Essas medidas podem ser feitas e eu não tenho dúvida que, com a amizade que o presidente Lula tem com o Espírito Santo e com o governador... Ele faria a mesma coisa que Fernando Henrique fez para Jorge Viana lá. Rapidamente. Pegaria os trinta mais violentos que estão comandando esse bonde da violência, colocando a população do Espírito Santo em polvorosa. Recolhe no presídio de segurança, monitora esse presídio como a mesma equipe que monitorou a equipe do Big Brother para a Rede Globo, que é especializada.