Acho que os sindicatos precisam repensar as greves. Os empresários se prepararam para enfrentá-las, e os gestores públicos também. Para ficar com um exemplo mais atual: os professores da prefeitura de Vitória entraram em greve e a prefeitura se defendeu de maneira a deixá-los mal com os pais dos alunos. Meteu matéria paga em cima deles e surtiu, infelizmente, efeito.
Isto mostra um aspecto, porque na área de produção os empresários e as grande empresas criaram mecanismos de contê-las e desgastá-las. Usando instrumentos como o CCQ (Ciclo de Controle de Qualidade), ZD (Zero Defeito) e muitos outros, as empresas comprometem o operário com a sua produção, remunerando por isso. Contém a greve.
Com esse processo, as empresas, principalmente as gigantes como Aracruz, Vale do Rio Doce, CST etc., terceirizaram a mão-de-obra. E o fizeram em nome de melhorar qualidade do serviço. Aumentaram a produção reduzindo custo de mão-de-obra e segurando o movimento grevista.
Como eles detêm também a opinião pública - são os maiores anunciantes da imprensa -, quando surge um movimento grevista a reação ao movimento é instantânea. E. quando surte relativo êxito, a greve não ganha os jornais: passa despercebida.
Diante desse quadro de fragilidade das greves, acho que as centrais sindicais precisam encontrar saída. Botar o dedo na ferida. Essa ferida começa quando as grande empresas transformam em peça de contenção os seus funcionários mais qualificados. Geralmente são tirados da própria categoria, são terceirizados e passam a comandar as áreas importantes de produção. São os atuais segura-greve.
No fundo, essa mecânica de relação de trabalho nova é o trabalhador graduado contendo o trabalhador terceirizado. Aí, quando vem a greve, ela morre na mão deles. É uma situação inteligente, pois no fundo é a institucionalização do trabalhador temporário. Os sindicatos realmente não estão sabendo lidar com isto e continuam insistindo em movimentos grevistas de nenhum resultado prático. No fundo, o que desejo, com esse comentário, é fazer mais um alerta. Dizer para o movimento sindical que ele precisa repensar o instrumento greve e crescer tanto como as empresas para recolocá-las bem. Afinal, a greve, enquanto existir trabalhador, é a sua principal arma, mas precisa ser bem usada para render resultados.
|