Os transtornos para quem precisa utilizar a ponte Florentino Avidos e a Segunda Ponte nos horários de pico não terão solução rápida. O governo do Estado já iniciou algumas obras que podem amenizar os congestionamentos no entorno das vias, mas o especialista em Geografia da Grande Vitória, Helder Gomes, alerta que somente investimentos no transporte coletivo poderão resolver o problema.
A questão é metropolitana, já que afeta moradores de Cariacica, Vila Velha e Vitória. O gargalo se encontra na divisa entre os três municípios e prejudica todo o sistema de acesso à região central da Capital pela parte oeste. Os engarrafamentos se estendem desde a Praça Oito até São Torquato e avenida Carlos Lindemberg, em Vila Velha, além de Jardim América, em Cariacica.
No final da década de 90, o governo estadual concluiu um estudo metropolitano sobre transporte. Trata-se do Plano Diretor de Transporte Urbano da Região Metropolitana da Grande Vitória (PDTU), que aponta medidas de médio e longo prazos para criar novas vias que sirvam como alternativas para a circulação na Grande Vitória.
Com base nesses estudos, algumas obras já começaram a ser realizadas na região do gargalo da Segunda Ponte. Elas fazem parte do programa Transcol III e, segundo a Secretaria de Estado de Desenvolvimento de Infra-estrutura e dos Transportes (Sedit), já contemplam as obras de duplicação da Rodovia Darly Santos, que ajudará a desafogar a avenida Carlos Lindemberg.
A prioridade do governo é viabilizar corredores estruturantes em toda a metrópole. Ainda em 2006, serão iniciadas as obras do corredor Leste-Oeste, ligando a BR 262, em Cariacica, à Rodovia Darly Santos, retirando o fluxo de caminhões de São Torquato, o que desafogará de maneira considerável a ponte que liga Jardim América a Vila Velha.
A Sedit informou ainda que, com a construção do Terminal de São Torquato e Jardim América do Transcol, cerca de 80 ônibus deixarão de atravessar as pontes por hora, aliviando o fluxo também no Centro de Vitória.
As soluções definitivas, porém, ainda não têm data para sair do papel. Seriam necessárias a construção de uma nova ponte entre a Capital e o continente na altura de Santo Antônio, em Vitória, além de um túnel (5ª ligação) na região da Ilha de Monte Belo, também na Capital.
Todas essas obras já tiveram sua viabilidade estudada para longo prazo no PDTU, que prevê ainda a instalação de um Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT), uma espécie de metrô de superfície nos principais corredores metrolitanos. Ele tem maior capacidade de atração de passageiros e pode diminuir a quantidade de carros particulares em circulação em toda a região.
Especialista alerta
O especialista Helder Gomes explicou que o grande problema da Região Metropolitana é que Vitória está no Centro de tudo. A Capital acaba recebendo um fluxo de veículos três vezes maior que sua frota, não suporta o tráfego e os engarrafamentos se estendem para além de seus limites.
Segundo ele, a tendência é piorar, já que as condições de financiamento permitem que cada vez mais carros sejam comprados. Como o transporte coletivo metropolitano é de baixíssima qualidade, quem tem carro opta por utilizá-lo. A média de passageiros por veículo em Vitória é de 1,3, número que mostra uma prática não recomendável e que, de acordo com o especialista, deveria ser coibida pelo governo.
Em curto prazo, a solução é investir no Transcol. O problema é que os ônibus andam lotados, atrasados e a tarifa é alta. Gomes ressalta que o sistema de tarifas deveria estimular a utilização do coletivo. O sistema deveria ser do tipo quanto mais se usa, menos se paga, com venda de cartões mensais, como na Europa, por exemplo.
"Quem usa Transcol é a classe baixa. Pobre exige pouco e por isso só eles usam o Transcol. A classe alta é exigente e não quer se submeter a este sistema. Não vão deixar o carro em casa", disse o especialista.
Ele esclareceu que no longo prazo é preciso pensar no metrô e nas novas travessias entre a Vitória e o restante da Metrópole, mas ressaltou que sem transporte de qualidade não haverá solução. A população terá que aguardar e ter paciência, pois a solução para o sistema viário da parte central de Vitória, da Segunda Ponte e Florentino Avidos parece ainda distante.
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(reportagem publicada em 20/03/2006)
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