Caros leitores, está tarde, tenho sono acumulado de um final de semana intenso, preciso reunir, milagrosamente, forças para jogar um futebol às 23hs da segunda feira, ou seja, daqui a uma hora aproximadamente. Meu computador de casa pifou de vez e eu tenho que entregar essa coluna em aproximadamente 12 horas. Para deixar a situação mais clara, escrevo num velho caderno de poesias, que vocês - com sorte - nunca lerão, usando a mais revolucionária de todas as ferramentas criadas pela humanidade: uma caneta esferográfica preta. Como nos bons e velhos tempos.
Puxando mais o fio, lembro o dia que uma grande amiga me apresentou ao som do Jamiroquai. Aquilo era absolutamente inovador e instigante, claro que fissurei. Trocamos fitas K7 e "Emergency On Planet Earth" conquistou espaço no meu walkman. Naquele momento, a era grunge vinha perdendo força, para mim, e isso também facilitou as coisas. Eu estava começando o segundo grau e no decorrer desse ano, 1994, veio o "Return Of The Space Cowboy", juntei a mesada e comprei uma edição importada (que tenho até hoje) com uma faixa bônus gravada ao vivo. Nunca emprestei esse cd a ninguém, não poderia correr esse risco.
Contei essa rápida estória pelo simples fato de que na hora que a banda subiu ao palco do Claro Hall, esse filme passou inteiro na minha cabeça, assim como em 99 ali naquele mesmo lugar.
O show
As músicas que tocavam enquanto a apresentação não começava, tinham uma sonoridade que remetia muito ao Jamiroquai, então todo mundo já foi entrando no clima da noite e a pista já não tinha quase ninguém parado. De repente apagam-se as luzes, surge a banda, a intro de "Canned Heat" e a voz de Jay Kay que já invade o palco dançando dentro de um casaco que o faz parecer um urso gigante com as cores da Jamaica. Não foi à toa que ele logo soltou a frase "Rio is hot!". Sob o mega casaco havia outro, mais adequado, personalizado com as cores e logos do Brasil. Mas a seqüência inicial do set list inicial seguiu "matadora" com "Space Cowboy", "Cosmic Girl", a rara "Revolution 1993" do primeiro disco, e "Little L". A banda azeitadíssima segurava todas. Ninguém conseguia ficar parado. Jay dançava, fazia trejeitos engraçados, deslizava de um lado para o outro e ainda se comunicava com o público. Foram mostradas quatro músicas do disco novo, "Seven Days In Sunny June", "Time Won`t Wait", uma provocação ao presidente do mundo George Bush com "Don`t Give Hate A Chance" e a que recebeu a melhor resposta entre essas, "Dynamite" (que também dá nome ao cd) e traz a nata da essência da banda. Com um set list coerente, os três trabalhos anteriores foram priorizados, "Travelling Without Moving", "Synkronized" e "A Funk Odissey" com pelo menos três músicas de cada. Impossível dizer quais levantaram mais a galera, todas tiveram uma resposta ótima do público, mas "Black Capricorn Day", "Love Foolosophy" e "Alright" talvez se destaquem na minha opinião pessoal. No bis, assim como na última passagem pelo Rio, tivemos "Deeper Underground", apoteótica. A ausência sentida por 90% dos fãs ali presentes ficou por conta de "Virtual Insanity", mas mesmo assim ninguém se importou muito com isso. Quando eles voltarem, com certeza tocarão.
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Renato Russo completaria 46 anos nesse 27 de março, ele continuou vivo através de sua obra e de suas idéias, mas faz uma falta imensa nesse planetinha super lotado. Um dia a gente se esbarra por aí. Força Sempre!
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