Vitória (ES), edição de 01 de novembro de 2006    
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E aí, vai votar em quem?



Heraldo Ferreira
Atualizado toda quinta-feira, às 16 horas


Olá a todos, quer dizer, se é que depois de tanto tempo restou ainda algum fiel leitor...

Bem, de qualquer forma, volto a carga. E em tempo de eleição! Confesso que ainda não sei o que fazer com o meu voto. Porque acredito seriamente que há coisas boas tanto à esquerda quanto à direita. Não sou partidário de nenhum lado, na verdade, sou do contra. Não por pirraça, mas para apontar contradições e hipocrisias.

Então tentei decidir através de uma análise arquitetônica, não só dos candidatos, mas também seus partidários. E para minha surpresa, a conclusão é o maior dos maiores clichês: eles são todos iguais!

Explico. Não vivi as décadas de 60 e 70, época do Brasil dos "50 anos em 5", apogeu da modernidade tupiniquim, que depois se transformou no Brasil da Ditadura Militar. Mas nessa época dava para se identificar facilmente se a pessoa era de esquerda ou de direita. Bastava ir às casas e ver seus livros, seus LPs, os quadros. Já imaginou um quadro do Pedro Américo na casa de Gabeira ou vice-versa, uma pintura do subversivo Portinari na parede do "living room" do Costa e Silva?! Os ideais e os gostos "burgueses" e "comunistas" eram completamente opostos. Enquanto um dava valor a uma modernidade fresca e rica, o outro gostava de quadros e livros rançosos, anacrônicos, empoeirados.

Hoje em dia, não sei se por contingência da tão famigerada pós-modernidade ou se por causa da cultura de massa televisivo, carro-chefe do capitalismo moderno, o fato é que os ideais "pequeno-burgueses" triunfaram e tanto direitistas quanto esquerdistas querem a mesma coisa. Uns desejam uma casinha com telhadinho de barro (lembrando nossas casas grandes e senzalas) com três quartos, se possível com suíte, além de piscina, churrasqueira e outros confortos do gênero. Parece que o Alckmin tem uma dessas em Pindamonhangaba. Já outros sonham com um apartamento num condomínio fechado desse que tem nomes estrangeiros, como Kentucky ou Green Hill. Creio que o Lula tenha alguns em São Bernardo do Campo.

Nesse mato sem cachorro, só me resta a esperança de que algum dia as coisas voltem a ser pretas ou brancas. Esse cinzento da pós-modernidade, às vezes, é um saco!!!

E-mails para o autor: vitorgraize@yahoo.com.br


 

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