Vitória (ES), edição de 01 de novembro de 2006

Júri vai encerrar o ano sem julgar
crimes da Ilha e assassinato de Denadai



José Carlos Bacchetti
Foto capa: Arquivo Século


A pauta do júri popular de Vitória vai fechar dezembro sem constar em sua relação de julgamentos casos de grande repercussão na Grande Vitória, como as mortes do advogado Marcelo Denadai (foto) e da dona-de-casa Cláudia Soneghetti. Também não entrou na pauta o assassinato do presidente da Câmara Municipal de Viana, João José Barbosa. O júri despertou maior atenção ao julgar dois policiais acusados da morte da colunista social Maria Nilce.

Cláudia Soneghetti tinha 28 anos e foi morta juntamente com a sua empregada, Mauricéia Rodrigues, de 20 anos, no dia 15 de janeiro de 2003, na mansão da vítima, na Ilha do Frade. As duas foram assassinadas por asfixia e tiveram os corpos parcialmente carbonizados. Cláudia era mulher do empresário Jorge Donati, sócio da Destilaria de Álcool Itaúnas (Disa), em Conceição da Barra.

Já o advogado Marcelo Denadai foi assassinado a tiros em Vila Velha, no dia 15 de abril de 2002, um dia antes de encaminhar à Justiça uma queixa crime em que, segundo o coordenador do Grupo de Repressão ao Crime Organizado (GRCO), ligado ao Ministério Público Estadual (MPE), promotor Flávio Vello, citava o envolvimento de 12 empresas, algumas administradas por laranjas, em fraudes em licitações, concorrências e serviços públicos nas 78 prefeituras existentes no Estado e outras no Rio.

Marcelo, irmão da advogada Aparecida Denadai, que vai ocupar uma das vagas na Assembléia Legislativa, foi morto porque, com base em documentos do Tribunal de Contas do Estado (TC-ES) e outros, anexados a um processo judicial, descobriu que o empresário Sebastião Pagotto era um dos mais importantes elementos do crime organizado no Estado, falsificando documentos e fraudando concorrências e contratos em prefeituras e órgãos estaduais. Pagotto foi indiciado pela Polícia Federal como mandante do crime.

O advogado morto descobriu toda a fraude envolvendo a prefeitura de Vitória e também um contrato superior a R$ 10 milhões. Ele forneceu ao irmão, o vereador Antônio Denadai, os elementos para a criação da CPI da Lama, e teve sua morte planejada, arquitetada e executada quando displicentemente saiu de casa mais uma vez para uma caminhada de rotina. Devido ao trabalho combativo de Aparecida Denadai, que até hoje tem a segurança garantida pela Polícia Federal, o crime acabou descoberto, e a família anseia por Justiça.

O julgamento do ex-prefeito José Luiz Balestrero (PTC) estava marcado para acontecer no início de novembro, mas coube recurso, já que o acusado de mandar matar o presidente da Câmara de Viana, João José Barbosa, havia se candidato a deputado nas últimas eleições. Trata-se de um dos casos de maior repercussão no Espírito Santo. João José Barbosa foi morto quando saía da casa de sua filha, no bairro Primavera, em Viana, no dia 23 de janeiro de 1998. Participaram do crime Deusdete Rodrigues dos Reis, o Alex, Ilson José de Souza, o Ilson Gama, e Iranilto de Souza Freitas, o Iranilto Gama. A empreitada custou uma motocicleta, um revólver e R$ 1.500,00.

Vão sentar no banco dos réus ainda este ano Jeferson Bento da Silva, o Jefinho, Alessandro Felizardo da Costa, Jonatan Pessanha Pinto, Renato Jorge Neves, Valter Santos de Souza, o Baianinho (em dois julgamentos), Antônio Emídio Miguel, Ivaney Rocha Ferreira, Ferreirinha, Rodrigo Carvalho da Costa, Rafael Gomes Luiz, o Amarelinho, Vanderley Pereira e Alexsandro, ou Alexandre Souza Santos.

Além de Fernando Henrique do Nascimento, o Feu, Alessandro Santos de Souza, Vampirinho, e Valdir Nunes dos Santos, o Tim, Wilson Monteiro do Rosário, Flávio Soares da Costa, policial civil aposentado Romualdo Eustáquio da Luz Faria, o Japonês, PM Cezar Narciso da Silva e Walmir Bento dos Santos.

A pauta do júri começará a ser cumprid às 12 horas do dia 6 de novembro, com o julgamento de Jeferson Bento da Silva, o Jefinho, e termina no dia 14 de dezembro, quando será julgado Walmir Bento dos Santos, que se encontra em liberdade. Antecede este júri, na segunda-feira (11), o julgamento de Japonês e Cezar Narciso. Este júri promete ser bem movimentado, já que na acusação funcionarão os promotores Mauro Luiz Duarte Gazzani e Joana Dàrc Calmon Tristão Guzanski, que terão como assistente de acusação o promotor aposentado Ronald de Souza. Na defesa atuarão os advogados Luiz Roberto Soares Sarcinell, Santiago Barbieri e Leonardo Barbieri.