A batata da terceirização




Caetano Roque da Silva


Enquanto fraciona o movimento sindical por conta da terceirização da mão-de-obra promovida pelas transnacionais baseadas no Estado, elas estão em pleno regime de incorporação. Quer dizer, enquanto aumenta o número de sindicatos dos trabalhadores, diminui o número de interlocutores dos grandes conglomerados.

Exemplo? CST e Belgo-Mineira são hoje a mesma coisa. Sendo assim, em vez de dois acordos, poderá haver somente um. É ruim para o sindicato dos trabalhadores, ainda mais para os chamados sindicatos legítimos, como o dos metalúrgicos. Vão estar fracionados na mesa de negociação, pois a maior parte dos metalúrgicos estará representada por sindicatos dos tercerizados e nas suas próprias áreas.

Resulta numa queda imensa da representação dos trabalhadores. Fora o aspecto de que a terceirização veio para baratear a mão-de-obra para esses grandes aglomerados, a exemplo do que ocorreu com os próprios metalúrgicos. Esse processo de terceirização promoveu uma queda no valor dos salários da ordem de 74%.

O futuro pode ser terrível para os trabalhadores da área desses grandes aglomerados. Ainda mais num estado como o Espírito Santo, onde a sua economia gira em torno delas. Pois o regime de terceirização cria uma espécie de mão-de-obra desqualificada. No entanto, ela ameaça a mão-de-obra qualificada. Há sempre a possibilidade de ela ser substituída por um novo grupo de terceirizados.

O que me causa apreensão é que eu não vejo os sindicatos dessa área dos grandes aglomerados encontrando mecanismos para deter esse processo desestabilizador que promovem em cima deles os grandes aglomerados internacionais, que têm suas dependências industriais no Espírito Santo.

Por outro lado, esse processo de tercerização, que acima dissemos que amedronta os trabalhadores reais da área, ameaça a existência dos seus próprios sindicatos. Porque elas sozinhas negociam com o sindicato representativo da categoria, e as empresas usadas para alugar mão-de-obra negociam com outros sindicatos.

Cada dia os sindicatos das categorias vão ficando cada vez mais fracos e os grandes aglomerados mais fortes. Forte no entender deles é ter cada vez mais lucro. Nesta terça-feira (7), o jornal "A Tribuna" noticia que a Acelor Brasil aumentou o seu lucro, depois das incorporações, em cerca de 50%. E os sindicatos dos metalúrgicos não conseguem nada para os seus trabalhadores. Que saída? Como o espaço está acabando, vou prosseguir com o assunto na próxima coluna. Tem realmente muito para discutir porque a batata dos trabalhadores está realmente assando, infelizmente.