A burocracia está sendo cumprida: foi realizada na quarta-feira (8), a quinta audiência pública sobre o licenciamento ambiental do projeto de expansão da produção de pelotas de minério de ferro, de 27 milhões para 39,5 milhões de toneladas anuais, da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), em Ponta de Tubarão.
Lideranças comunitárias e ambientalistas protestaram contra os números da empresa. Mas os protestos foram em vão: o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) está para liberar a licença.
Vai liberar a licença não porque o empreendimento não vá aumentar a poluição na Grande Vitória, a grande mentira da Vale. A licença será concedida porque é do interesse do governo do Estado atender a empresa.
O Iema fez sua parte no processo. A Cepemar, a empresa de consultoria que dá suporte às poluidoras, admitiu nos seus primeiros estudos que haveria aumento de poluição. Um nadica de nada, mas haveria. Como foram simples os técnicos!
A direção do Iema, parecendo dura, mandou a empresa refazer suas contas: não aceitava aumento de poluição. E afinal, a Cepemar acertou o passo, produzindo o que se considera definitivo: não haverá aumento de poluição. Aliás, dizem os consultores regiamente pagos, haverá até redução de algumas emissões, como eles chamam os poluentes, feita a expansão da produção da Vale e a modernização de suas usinas.
Penso, sinceramente, que os técnicos que defenderam a aprovação do projeto por inofensivo ao meio ambiente e às pessoas estavam, digamos, brincando. Pois não falavam para um público formado por pessoas bem informadas? Como querem, então, que estas pessoas acreditem que o aumento de produção em 45% de um complexo industrial altamente poluidor, como o de pelotização, não vá gerar aumento de poluição?
Ocorre que o governo é a favor do projeto, e que a empresa é fiel colaboradora das campanhas políticas, entre as quais as do governador Paulo Hartung. Ocorre, ainda, que a Vale é agora a segunda mineradora do mundo. E que a Cepemar, também colaboradora para os caixas de campanha e até fez a gentileza de ceder uma sua diretora para a presidência do Iema, e a Vale estão se lixando para a população da Grande Vitória.
Então que os moradores da Grande Vitória preparem o bolso. Já gastaram R$ R$ 2.340.000.000,00 para tratar das doenças causadas pela poluição provocada pela Vale nos 36 anos de operação das suas sete usinas. Os moradores da Grande Vitória gastam R$ 65 milhões por ano para tratar tais doenças. E muitas destas doenças não têm cura, como alguns tipos de câncer.
No total, as doenças provocadas ou agravadas pela CVRD, CST e Belgo custaram aos capixabas entre R$ 3,7 e R$ 4,4 bilhões.
Se preparem então os capixabas para as doenças que enfrentarão. E para continuar sendo assombrados pela imagem infernal que as usinas da Vale e da CST provocam em Tubarão e em Carapina.
Está tudo dominado: o mal manda em tudo, e a licença para a expansão da CVRD, mesmo ilegal, pois a empresa não cumpriu condicionantes dos projetos anteriores, vai sair!
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