Pesquisadores da Universidade de Stanford, na Califórnia, descobriram o que todo mundo já sabe e não tem coragem de admitir - Internet também vicia! Essa medusa moderna avança na velocidade da luz, absorvendo cada vez mais adeptos. Não que seja um mal em si, muito pelo contrário, fica difícil imaginar a vida de hoje sem ela. Mas como todo excesso, tem suas armadilhas e também deixa suas sequelas.
Os especialistas de Stanford entrevistaram 2.513 pessoas, e descobriram que uma em cada oito (14%), usa a Internet de forma compulsiva, sendo que mais de 8% desses viciados admitem que escondem o vício do parceiro ou parceira. Se o assunto é Internet, pensamos logo em adolescentes entediados, sem muito que fazer além de ficar dia e noite pescando piadas e fofocas sobre a vida dos famosos na rede.
A pesquisa mostrou que, na América, o típico viciado na rede é branco, está na faixa dos 30 anos, é solteiro, tem curso superior, e usa a Internet mais de 30 horas por semana para assuntos não relacionados com trabalho ou não essenciais. Pela idade e nível de estudo, vemos que esses viciados são de uma classe social privilegiada, que não gasta horas em frente da telinha apenas por falta do que fazer.
Em 1999, outro estudo realizado com 18.000 pessoas descobriu que quase 6% dos entrevistados era usuário compulsivo da Internet. Desde então, a Internet está ainda mais poderosa, mais difundida, mais sofisticada, e mais fácil de ser acessada. Não admira que seu percentual de adeptos compulsivos tenha quase dobrado em 2006.
Um dos sintomas do usuário compulsivo, de acordo com os especialistas, é aquela pessoa que acha difícil ficar alguns dias sem acessar a Internet. Desses viciados, 6% reconhecem que o uso obsessivo da Internete afetou seu relacionamento com outras pessoas; 8% admitem que usa a Internet para fugir de problemas da vida real.
E quem não os tem, na era de Bush e Lula? Os médicos consideram esse vício quase tão difundido e perigoso como o alcoolismo. E se assemelha ao vício da bebida porque o usuário compulsivo esconde o problema das outras pessoas. Em consequência, estão surgindo clínicas para tratar desse novo mal. Até na China, quem diria, surgiu a primeira clínica para "desintoxicar" o internético contumaz.
O uso excessivo da Internet avança para o horário de trabalho, e aí o problema se torna também econômico, com queda de produtividade, desleixo das funções, abuso dos bens do empregador, etc. Mas se você, leitor, lê essa coluna no seu horário de trabalho, ou usa a Internet mais de 30 horas por semana, não acredite em tudo que as pesquisas revelam.
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