Vitória (ES), edição de 05 de outubro de 2006    
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Aquarelas cinematográficas de Wagner Veiga



Felicia Borges


  
Foto: Divulgação
  
O cenário é de solidão e simplicidade, de instabilidade do homem frente à natureza, de reflexão e de silêncio. O filme Casa de Areia (Brasil, 2005), gravado na região desértica dos Lençóis Maranhenses, em meio às dunas, foi a inspiração para a nova exposição de Wagner Veiga, Cores do Silêncio, que será aberta nesta quinta-feira (5) no Espaço Cultural Sala Egydio Antônio Coser, no Palácio do Café.

O fascínio do artista pelo olhar fotográfico e pela atmosfera intimista dos interiores das casas, pelas cenas diárias da vida das pessoas e os objetos que as cercam estão presentes nessa exposição através de imagens do cinema nacional. "Há muito tempo eu tinha essa idéia. Sempre que via filmes, principalmente nacionais, me surpreendia pela beleza da fotografia. Foi o cinema nacional que me inspirou isso. É Brasil, é o cenário que a gente vê, o sol. Eu vi o filme e tudo o que eu fiz foi tirado de lá", explica.

Com o auxílio do computador, Wagner selecionou as imagens exatas a serem retratadas, que depois foram impressas e transformadas em aquarela, técnica pela qual o artista ficou mais conhecido. As obras retratam cenários do filme, mas sem a figura humana. "É a primeira vez que eu faço um trabalho espontâneo usando o olhar de outra pessoa, no caso o diretor de fotografia do filme, o Ricardo Della Rosa. A vantagem de ser uma aquarela é que você tira os personagens e fica o ambiente", diz Wagner.

A escolha do tema se deu não apenas pela forte identificação de Wagner com as imagens do filme, pelas belas fotografias capturadas na região, mas também pela mensagem transmitida. "O que me tocou muito foi a mensagem filosófica do filme. Ele passa muito uma instabilidade, que é o que a gente está vivendo agora também", fala. A busca do artista foi associar poesia com a imagem, transmitindo os sentimentos e sensações que o filme passa.

As cores utilizadas nas 15 obras expostas, de acordo com o artista, são cores pastéis, às vezes até monocromáticas. "E o filme é um silêncio, ele remete ao silêncio, à contemplação daquele cenário, como à contemplação filosófica do filme", diz Wagner, explicando o porquê do nome da exposição.

Wagner Veiga, que além de artista plástico é também ilustrador, professor e pintor, já estava há alguns anos sem realizar uma exposição individual no Estado. "A exposição individual é uma oportunidade de você criar uma coisa diferente, de aparecer com uma coisa nova. Já fiz muito trabalho em cima da história do Espírito Santo, as paneleiras, o Ticumbi, o congo, a identidade capixaba. As pessoas dizem que eu sou o cara que mais pinta o Espírito Santo e essa exposição foi a quebra de um paradigma. Não que eu tenha rompido com isso. O artista não tem compromisso com o país, ele é universal, mas acabou que eu fiz com um filme que é brasileiro".

As 15 obras que estarão expostas no Espaço Cultural foram produzidas pelo artista a partir do início de agosto, utilizando a técnica da aquarela sobre papel. Cinco estão no formato 1,00 x 0,70m e dez de 0,70 x 0,50m. As obras serão comercializadas na exposição por R$1400, as menores, e R$1800, as maiores.

O artista

Wagner Veiga nasceu em Caçapava, São Paulo, em 1950. Aos 20 anos ingressou na equipe de artes gráficas da TVE-SP e no Instituto Nacional de Pesquisas Espacias - INPE como ilustrador e programador visual, em São José do Campos-SP. Trabalhou como diretor de arte em agências de publicidade em São Paulo, onde sua formação profissional foi propaganda, e posteriormente em Vitória em 1973, exercendo a mesma função em agências locais.

Paralelamente às atividades profissionais desenvolveu uma série de trabalhos em aquarela, acrílica e óleo sobre tela e participou de cerca de 20 exposições coletivas em São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória e Salvador, realizou 12 individuais em Vitória e uma em São Paulo, tendo sido classificado no I Salão de Arte do Yázigi, em 1998, e premiado com a Menção Honrosa no I Salão do Mar, em 2000.

Desde a década de 1990, Wagner se dedica exclusivamente à carreira artística e atualmente trabalha no seu ateliê em Vitória, onde desenvolve suas pinturas e ministra cursos de arte aplicada. Em 2001, publicou o Calendário 2002 contendo trabalhos em bico de pena das principais obras arquitetônicas e religiosas do Espírito Santo.

Serviço
A exposição "Cores do Silêncio", de Wagner Veiga, vai ser aberta para convidados nesta quinta-feira (5), às 19h30. A mostra fica aberta ao público a partir do dia 6 de outubro até 10 de dezembro no Espaço Cultural Sala Egydio Antônio Coser - Centro do Comércio de Café de Vitória, Av. Nossa Senhora dos Navegantes, 675, térreo, Ed. Palácio do Café, Enseada do Suá, Vitória. O horário de visitação é das 8h às 18h, de segunda a sexta-feira.

Saiba mais!

Clique aqui e acesse o site de Wagner Veiga

 

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