Resultados no Espírito Santo




Antônio Carlos Medeiros
é administrador e cientista político

No Espírito Santo, agora já é hora de avaliar os resultados eleitorais de 2006, mas sem precipitações. E de, a partir daí, começar a ver que resultados políticos advirão destes resultados eleitorais.

Nas disputas majoritárias - governador e senador - a vitória do governador Paulo Hartung foi ainda mais consagradora do que o previsto. A imagem dele correu o país como campeão de votos. Ainda por cima, o governador conseguiu ter papel importante na eleição do novo senador, Renato Casagrande. Que agora se credencia ainda mais para ampliar e aprofundar o seu papel, entre as lideranças mais influentes no Congresso Nacional.

Quais são e quais serão os resultados políticos desta legitimação eleitoral? Ainda é cedo para ter um cenário mais nítido. Entretanto, do ponto de vista mais global e estrutural, os resultados eleitorais confirmam a possibilidade política de continuidade da construção, pelo governador Paulo Hartung, de um processo de hegemonia política (portanto duradouro e amplo) no Espírito Santo.

O que vai, ainda, precisar ficar mais claro é a natureza e amplitude do leque de alianças do governador. Porque, a partir daí, se terá mais nitidez das forças políticas - repito, forças políticas - que compõem a correlação de forças sob a direção política do governador.

É preciso esperar para ver isto com mais clareza. Isto porque as alianças eleitorais feitas pelo governador foram quase do tipo "aliança-de-todos-com-todos" , o que poderá não se sustentar no tempo, pela própria natureza do processo de conflitos de interesses e demandas da democracia.

Ainda neste tabuleiro, será necessário verificar a movimentação pós-eleitoral do PSB do senador eleitor Renato Casagrande e do PT do prefeito João Coser, do deputado estadual Cláudio Vereza e da deputada federal Iriny Lopes, em função das eleições presidenciais e do quadro nacional que se desenhará a partir daí.

Neste momento, entretanto, pode-se dizer que o governador Paulo Hartung não tem oposição organizada e relevante ao seu projeto de hegemonia. O primeiro efeito político estadual da sua reeleição é este. Já no plano nacional, o efeito político de sua reeleição dependerá do seu comportamento político no segundo turno das eleições presidenciais, e depois da diplomação do Congresso nacional e do presidente da República.

A liderança do ex-governador Max Mauro, com a sua derrota para o Senado, tende a declinar. Restará ver, além das movimentações do PSB e do PT, como o PDT de Sérgio Vidigal e do prefeito Max Filho vai organizar-se e comportar-se politicamente, para além das "fronteiras" dos municípios da Serra e de Vila Velha.

Quanto à Câmara Federal, a renovação de 60% foi até maior do que a prevista aqui antes das eleições (50%). Entretanto, os resultados confirmam que a renovação se deu não pela chegada de novos nomes, mas pela condução ou retorno de nomes já conhecidos. É, como prevíamos, a marca da experiência política e administrativa.

Isto é positivo. Resta saber como os novos deputados vão posicionar-se nas Comissões importantes da Casa. E, a partir daí, como vão dar mais visibilidade nacional às demandas estaduais. É isto aí: visibilidade nacional. O que significa, também, entrar na discussão dos grandes temas nacionais que vão para a agenda de 2007 e 2008 - reformas , agenda de Estado e outros conhecidos.

Neste sentido, sem querer "fulanizar" a análise, as presenças na bancada federal, de Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), Rita Camata (PMDB) e Lelo Coimbra (PMDB), poderá incentivar a atuação mais programática e o comportamento parlamentar mais no estilo do chamado "parlamentar de Opinião".

Vamos ver. É importante registrar isto porque estas eleições tiveram a característica de valorizar muito o papel dos prefeitos e dos vereadores na definição das razões de votos. O que poderá puxar muito a sardinha para a brasa das demandas paroquiais, levando os deputados a atuarem como "vereadores federais".

No que diz respeito à Assembléia Legislativa, constata-se que ela teve, também , 60% de renovação, mais ou menos como previsto aqui. Confirmou-se, ainda, a previsão de que a marca da experiência política e administrativa chegaria àquela Casa.

Com efeito, as presenças, agora, de Guerino Zanon (PMDB), Theodorico Ferraço (PTB), Elcio Álvares (PFL), ao lado de Cláudio Vereza (PT) e Luzia Toledo (PTB) e César Colnago (PSDB), vão imprimir uma tônica de mais trabalho técnico nas Comissões e mais debates de bom nível no Plenário. A conferir. E agora com a presença de Aparecida Denadai (PDT), que poderá ser uma "parlamentar de Opinião", influenciando o debate de idéias e de grandes polêmicas.

A Assembléia Legislativa do Espírito Santo está devendo uma boa legislatura aos eleitores do Espírito Santo. Eleita também com forte participação dos prefeitos e vereadores nas campanhas, além do papel das Igrejas e de algumas corporações, espera-se que esta Assembléia exerça com independência o seu papel de formulação e de fiscalização.