A cara de sempre




Caetano Roque da Silva


Fora a Janete Sá, dos ferroviários, que se reelegeu deputada estadual dobrando a sua votação, o resto dos companheiros levaram cartão vermelho. A maioria foi recusada por suas próprias categorias. Quero ainda abrirr um parêntesis para além da Janete, do José Carlos Pigatti, ex-presidente da CUT e presidente dos eletricitários e que teve 18 mil votos para deputado federal.

Pegando na Janete: ela não é só resultado de um bom desempenho na Assembléia, mas, principalmente, junto à sua categoria, que vota nela maciçamente. É até um exemplo para os demais dirigentes. Janete é a dirigente sindical das assembléias sindicais, da mobilização da categoria, boa negociadora. Padrão ideal para uma representação sindical e política.

Agora, se a gente descer ao desempenho da maioria dos dirigentes sindicais candidatos à Assembléia Legislativa, vai dar em resultados eleitorais deprimentes. Não vou nominar ninguém. Pois não é o caso. Quero aqui discutir essas razões e dizer que elas estão diretamente ligadas à conduta deles à frente de seus sindicatos. Onde a maioria faz o inverso da Janete: desmobiliza a categoria para dominar o sindicato e usar o poder da máquina sobre os adversários.

Um sindicato desmobilizado resulta num mau dirigente, e acaba na boca da urna quando ele resolve tentar um mandato eletivo em nome da sua própria categoria. A categoria não vota nele, como ocorreu e vem ocorrendo, grosso modo, no Espírito Santo. Se esse povo estivesse reunindo suas bases para discutir a reforma sindical, estaria politizando uma discussão com a base, diferentemente do que ocorre hoje.

De um modo geral, discussões como essa da reforma sindical ficam por conta tão-somente da visão ideológica das lideranças. Esses ideológicos também se candidataram e também levaram ferro.

É necessário que a Assembléia tenha dirigente sindical, bem como na Câmara dos Deputados e nas câmaras municipais. Então esse povo tem que saber que eles só vão alcançar seus objetivos políticos se tiverem capacidade de politizar suas bases através da mobilização.

Do contrário, vão continuar com candidaturas frustrantes e tendo suas bases votando da forma mais incorreta possível. Eles têm que parar de ser candidatos de si próprios e sim das bases dos seus sindicatos. O dia em que isto ocorrer, o parlamento brasileiro estará cheio de dirigentes sindicais, mudando a cara da democracia brasileira.