Depois do discurso desta quarta-feira (4) do deputado petista Cláudio Vereza na Assembléia Legislativa, saudando o seu partido pelo bom desempenho nas eleições, manda o bom senso que se interne o PT, pois desparafuzou geral. Ou então que o levem para um divã para refletir sobre a sua fragorosa derrota eleitoral.
A começar pelo próprio Cláudio, que teve um desempenho aquém do seu peso político. Perdeu a liderança do pleito de deputado estadual, ficando nessa eleição em quarto lugar. Atrás até do atual presidente da Assembléia, César Colnago (PSDB). E mais ainda: na sua base eleitoral, que é Vila Velha, ficou atrás até de três vereadores que se elegeram deputados estaduais.
Mas o PT não foi mal só por conta do desempenho de Vereza. O partido todo foi mal, numa hora política em que tudo, pelo menos aparentemente, lhe era favorável: o presidente Lula vitorioso no Estado; o governador, vitorioso; o senador, que ele apoiou, também vitorioso. Como explicar esse mau desempenho, a ponto de reduzir à metade a sua bancada na Assembléia, e que, para salvar o mandato de Iriny Lopes para a Câmara dos Deputados, teve que recorrer ao voto útil?
O PT tem que reconhecer que fez um mau acordo com o governador Paulo Hartung. Se não tiver capacidade para reconhecer, vai pagar um preço mais alto ainda quando vier a eleição municipal de 2008. Um mau acordo que já se reflete na ausência do governador Paulo Hartung na campanha do Lula. Abandonaram uma relação com os partidos de esquerda, com os quais ganharam as prefeituras de Vitória e Cariacica, quando também contribuíram para as eleições do PDT em Vila Velha e na Serra, para se subordinarem ao comando político do governador Paulo Hartung.
Tanto perderam o prumo que passaram a cantar vitória com eleições sem qualquer expressão, como as que obtiveram nessas eleições. A chamada eleição de pirro, até parecendo que festejaram o pouco que PH concedeu a eles. Vão aprendendo. Com PH é assim mesmo: o pódio é privativo dele, a planície é que é dos aliados. E o PT parece que entendeu bem a situação, a ponto de saudar uma derrota como uma vitória.
Fragmentos
1 - O vice-governador Lelo Coimbra (PMDB) deslumbrou geral com a eleição espetacular que teve para a Câmara dos Deputados. Numa atitude de quem realmente se acertou com o eleitorado, pois nas disputas anteriores não foi além de uma suplência, como ocorreu por ocasião em que se candidatou a deputado estadual. PH faz milagres dessa natureza.
2 - Enquanto Lelo festeja sua liderança entre os deputados federais, Theodorico Ferraço (PTB), cotado para ser o mais votado como candidato a deputado estadual, perdeu a troféu para o ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon (PMDB). E não explodiu como era esperado em Cachoeiro de Itapemirim, apesar dos seus 29 mil votos.
3 - Já o prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, Roberto Valadão (PMDB), vibra com a votação do megaempresário Camilo Cola (PMDB) para deputado federal, o mais votado no seu município (41 mil votos). Em compensação, os três candidatos mais votados para deputado estadual são opositores a ele: Ferraço, Carlos Casteglione (PT) e Glauber da Silva Coelho(PL).
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