Os servidores do Legislativo do Espírito Santo estão ansiosos pela deliberação do reajuste salarial da categoria, luta que se arrasta há 12 anos. O presidente da Associação dos Servidores da Assembléia (Arsal), José Marques Cosme, está pessimista. Para ele, o presidente da Assembléia, César Colnago (PSDB), deveria ser cassado pelo partido. "O mandato não é dele, mas do governador Paulo Hartung", soltou.
A angústia dos servidores aumentou quando a associação teve que sair da sala que ocupava. Para a categoria, foi a gota d'água numa relação que já estava minada por trocas de farpas de ambas as correntes, as oposicionistas e as situacionistas.
"O presidente não poderia ter dado essa determinação. Foi uma covardia o que ele fez conosco. Além de não nos apoiar, nos expulsou da sala", lamentou. A mudança de lugar ocorreu como um paliativo: a transferência provisória para uma sala no gabinete do deputado Rudinho de Sousa (PSDB).
O problema maior dos servidores foi a falta de articulação política em torno de uma solução para o reajuste, que já foi concedido a servidores de outros poderes, como o Tribunal de Contas, o Tribunal de Justiça e o Ministério Público. A esperança para os próximos meses está na busca de apoio dos novos deputados para que se sensibilizem com a causa, que envolve 680 associados.
José Marques Cosme, conhecido como "Zé Precão", também se mostrou preocupado com a falta de local para a associação no ano que vem, já que o deputado Rudinho não se reelegeu. Cosme destacou outras vozes que se manifestaram em favor do reajuste: Mariazinha Vellozo Lucas (PSDB), Janete de Sá (PSB) e Euclério Sampaio (PDT).
Mariazinha está deixando o Legislativo, mas Janete e Euclério foram reeleitos. A solução para a Arsal, então, é correr atrás dos que se pronunciaram a favor, mas, principalmente, dos que estão prestes a entrar na Casa para o exercício de 2007. Esta é uma tarefa que já está em andamento. Mas, para conquistar os respectivos apoios, a Arsal deverá driblar os que se mostram contrários ou, no mínimo, distanciados do assunto.
Certo de que a questão não será discutida no exercício de 2007, o presidente da Arsal ainda acrescentou que a gestão da Mesa Diretora é antidemocrática e não sabe dialogar em favor dos servidores. "Como eles querem resgatar a imagem da Assembléia deixando de resolver causas tão importantes?", completou, lembrando que a proposta de reajuste ocorreu logo após a conversão da moeda, no governo Fernando Henrique Cardoso.
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