Questão de justiça




Caetano Roque da Silva


Quero hoje enfocar a velha questão da antiga Cofavi (hoje Belga-Mineira). Na sua crise existencial, o governo Vitor Buaiz liberou um pacote de R$ 3 milhões de ICMs para serem destinados aos salários atrasados (eram nove folhas). Isto praticamente reabilitou a Cofavi.

Ela voltou a operar, manteve os empregos, pagou ICMs e continuou sua produção. Trocou de dono, mas no episódio para salvá-la ela saiu do fundo do poço. Tinha até entrado em processo de falência. E falência deixa seus resíduos. Principalmente de dívidas trabalhistas. Foi o caso presente da Cofavi. Reabilitada, dono novo, com futuro garantido, mas deixando de postular junto ao governo o saldo de ICMs que pertence aos seus trabalhadores.

Esses trabalhadores, que participaram desse proceosso de recuperação da empresa, já foram, em grande maioria, para a inatividade. Demitidos uns, aposentados outros. Com as aposentadorias que se tem hoje muitos deles passam necessidade. Sendo que foram eles, na prática, que produziram esse ICMs que está no Estado.

O problema está no Estado, mais na Secretaria da Fazenda. Já deram tanta colher de chá para empresas, principalmente as megaempresas, como Vale do Rio Doce, Aracruz, CST e Samarco, por que não podem dar agora ao trabalhador o dinheiro que eles produziram?

Longe de querer protecionismo, mas apenas justiça. Se não houvesse, nesse caso, esses trabalhadores da Cofavi, não havia esse ICMs dos trabalhadores, como não haveria os ICMs que, hoje, fertilizam, os cofres do Estado. Devia sim o Estado estar agradecido a esses trabalhadores, que na prática salvaram uma empresa como uma solução que foi idealizada por eles próprios e adotada pelo governo Buaiz.

O governador Paulo Hartung bem que poderia ler este comentário e adotar a providência necessária a entregar aos trabalhadores da Cofavi o que lhes pertence de direito.