A última chance de Lula




Geraldo Hasse

O desânimo eleitoral continua e a explicação mais plausível é que a maioria do povo decidiu mesmo reeleger Lula a despeito de tudo que seu governo fez de errado ou deixou de fazer.

Tudo indica que o eleitorado vai dar a Lula uma nova e última chance de sair da História tão bem como entrou. Espera-se que não a desperdice.

Diz um ditado argentino que "um homem a cavalo nunca está totalmente seguro", porque pode ir ao chão a qualquer momento. É a metáfora perfeita para a precariedade do poder. Cavalgar é um risco. O poder é perigoso. Lula andou perto de cair do cavalo, mas se segurou e agora está firme na parada.

Se o povo quisesse descartar o Lula, já teria embarcado numa das outras candidaturas, à direita ou à esquerda. Até agora não o fez. A soma dos votos de todos os adversários não supera os do presidente.

A vantagem eleitoral de Lula se dá nas três principais frentes da disputa.

Na frente econômica, o eleitorado não se dispõe a substituir Lula por Alckmin porque o governo petista já mantém no ar a política liberal do PSDB. Nesse campo, mudar seria como trocar seis por meia dúzia.

Na frente política, apesar do desgaste ético provocado pela cúpula petista, ainda é grande a identificação do eleitorado com Lula. Mesmo chamuscado, o presidente se safou da queima política.

Na frente social, o maior diferencial: nesse terreno, o PT aprofundou os programas iniciados por outros presidentes. Sem dúvida, os pobres estão com Lula. Os pobres são a maioria. Bingo.

Resumindo, mesmo sem ter feito um grande governo, Lula livrou a cara. Como irrigou as periferias pobres com programas de inclusão social, tem chance concreta de reeleger-se no primeiro turno.

A esta altura da corrida presidencial, pode-se supor que o PSDB teria ameaçado Lula se colocasse na parada José Serra, um político tão qualificado que até os tucanos o temem. Um dia se saberá por que a cúpula do partido preferiu Alckmin a Serra. Esse episódio de 2006 repete o caso da troca de Mario Covas por Fernando Henrique Cardoso em 1994. O melhor quadro tucano era Covas, mas FHC avançou o sinal e pegou a bandeira na mão.

Quanto à possibilidade de colocar Heloisa Helena no poder, o povo parece reconhecer instintivamente que, assim como Lula, ela não teria condições políticas de fazer um governo mais à esquerda. Seja como for, a candidata do P-Sol chegou ao patamar do PT nos primórdios da redemocratização: 14%.

Se continuar na briga em futuras eleições, quantos anos mais HH precisará para chegar à presidência? Pode ser que não repita o sucesso de Lula. Como radical de esquerda, ela não é novidade, trilha o caminho que o PT trilhava antes de chegar ao poder. A novidade nela é a condição feminina. O desgaste dos homens no poder está criando o clima para a eleição de uma mulher. Pode ser HH ou outra qualquer. Quem viver, verá. Não antes de Aécio Neves em 2010, mas isso fica para depois.


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