Moralização é a ordem





Renata Oliveira

Em seu jantar de adesão, realizado na noite dessa quinta-feira (31), em Vitória, o governador Paulo Hartung mandou um recado direto aos deputados estaduais, principalmente àqueles que estão enfrentando processos por quebra de decoro parlamentar. Num palanque montado para lhe garantir repercussão, pediu ao eleitor renovação na Assembléia Legislativa.

O recado não podia vir em melhor hora. O parlamento capixaba encontra-se numa situação difícil. Com a imagem manchada e sem pulso para corrigir o que está errado, recebe as cobranças da população, mas nada é feito. O primeiro grande problema se arrasta há mais de um ano na Casa. Sete deputados acusados de participar de um esquema que desviou mais de R$ 26 milhões dos cofres públicos, na gestão de José Carlos Gratz.

A denúncia foi feita, o processo ético-disciplinar foi instaurado, mas os deputados acusados fazem o que querem com os corregedores. Liminares, questões de ordem e atestados médicos são constantes. A falta de respeito é tanta, que ninguém mais acredita que algum deles será punido antes das eleições.

Alheio à sua responsabilidade, o presidente da Casa se omite. Quando pressionado, passa a bola, diz que não é com ele. Enquanto isso, a imagem do Legislativo continua sendo manchada.

Mas esse não é o único problema. O abuso nos gastos com combustíveis e um desfile de carros de luxo, sem identificação, foram denunciados. O Legislativo tentou passar a imagem de moralizado e jogou na fogueira cinco parlamentares. Mas o Ministério Público não engoliu a rápida e simplista resposta da Assembléia e mandou levantar os gastos em 11 gabinetes.

A verdade é que nunca houve uma orgia automotiva dessas na Assembléia, como neste período legislativo. Com deputado, que mora no interior, ainda vai. Mas a Assembléia tem que explicar por que diretores da Assembléia também precisam de carros e combustível pagos pela Casa.

Uma mudança profunda será necessária na Assembléia. Afinal, um governo que se autodenomina o moralizador do Estado não pode ser parceiro de uma Assembléia com a moral arranhada por tantos escândalos.

Fragmentos
1 - O candidato da oposição ao governo do Estado, Sérgio Vidigal (PDT), parece estar adotando uma estratégia mais arrojada. Passa a buscar votos nos principais colégios eleitorais do Estado. Agora é hora do tudo ou nada.

2 - Tudo ou nada também para Renato Casagrande (PSB) tentar reverter o quadro e superar o desempenho de seu adversário Max Mauro (PDT) na disputa pelo Senado. Os dois estão tecnicamente empatados e disputam voto a voto os indecisos.

3 - O senador-empresário Marcos Guerra (PSDB) mostrou esta semana que seu objetivo é mesmo legislar em causa própria. Pediu a flexibilização das licenças para mineração e a queima de confecções contrabandeadas.