Bom senso, governador!




Caetano Roque da Silva


Estranhei a atitude do governador Paulo Hartung negando os direitos dos antigos trabalhadores da Cofavi sobre o ICMS devido a eles. Confesso que não esperava isto de um governador que nasceu politicamente no seio das lutas em favor da classe trabalhadora.

Com quem o encontrei em vários momentos dessa luta e me deparo agora com um governador negando as suas origens. Lamento muito. Principalmente quando o vejo negar direitos dos trabalhadores. Mais grave ainda: é um ICMS a ser usado para quem realmente o produziu, o próprio trabalhador da Cofavi.

Diferente dos habituais incentivos fiscais que o seu governo, com intensidade, concede ao empresariado, para o enriquecimento de muitos dos algozes dos seus trabalhadores. Aí entra a Companhia Vale do Rio Doce, CST, Samarco, Aracruz e outros.

O que torna essa negativa do governador mais grave ainda é que esses trabalhadores, que têm direito sobre este ICMS, estão em grande parte aposentados, mal aposentados, muitos com doenças ocupacionais, necessitados desse ICMS. A maior parte deles, que são cerca de 1,3 mil, vivem com imensas dificuldades.

Pois é, governador, não chego ao exagero de dizer que o senhor trocou de lado, seu passado não permite fazer tal assertiva, mas a sua secura pelo desenvolvimento do Estado está a levá-lo a tratar do assunto sob aspecto meramente capitalista. Isto aí está mais do que claro.

Pois, até visto deste ângulo capitalista, não estou falando de capitalismo selvagem, mas do capitalismo tupiniquim, do nosso aqui, este dinheiro não faria falta alguma ao desenvolvimento do Estado. E representa muito para a sobrevivência desses trabalhadores. Esses mesmos trabalhadores que deram suor e sangue para tirar a Cofavi do buraco.

Pois é, governador, acho que ainda é tempo de o senhor voltar atrás, reconciliando-se com o seu passado de militante da esquerda. Fica aqui a minha torcida, pois, como dizia meu velho pai, caldo de galinha e bom senso não fazem mal algum.