O que todos temiam na região de Ubu - de ambientalistas a simples cidadãos e lideranças políticas e comunitárias - será realidade em breve: ali vai se implantar um novo Tubarão, modelo de pólo irradiador de poluição da Grande Vitória responsável pela emissão de partículas venenosas na atmosfera e do já tristemente célebre pó preto que invade as casas e os pulmões de milhares de famílias.
Trata-se de região com nítida e indiscutível vocação turística, pois abrange Guarapari e Anchieta, locais que atraem, todos os anos, em grande número, turistas capixabas e de outros estados. É um belo pedaço de terra, generosamente banhado pelo mar de águas claras e limpas.
É doloroso imaginar essa região sob os efeitos de uma atividade predatória por natureza, a siderúrgica. Antever suas ruas, casas e praias cobertas pelo pó de minério que já infelicita significativas parcelas da população da Grande Vitória, exposta ao vento que sopra forte e carregado de partículas venenosas procedentes de Tubarão.
A confirmação da tragédia anunciada foi dada pelo dirigente máximo de um dos grupos que vai comandar a implantação da nova usina, a Arcelor, controladora da Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST). Esta vai formar parceria com outra histórica poluidora, a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) nessa empreitada.
Matéria em destaque nesta edição de Século Diário destaca alguns trechos da entrevista que o empresário concedeu ao jornal "Valor Econômico". Em nenhum deles há qualquer referência aos esteragos ambientais que serão causados pela nova usina.
Ele fala de números e cifras. Milhões de toneladas de aço a serem produzidas, ao custo de bilhões de reais. Satisfação absoluta com as novas perspectivas de faturamento e lucros. Louvações à generosidade das instituições brasileiras de fomento, que vão contribuir com vultosos financiamentos para custear o ambicioso projeto.
Mais que isso: a satisfação de ter uma dessas instituições, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), não apenas como financiadora, mas como parceira, poderosa sócia de um projeto que em nada beneficiará o Estado e sua população.
É generosidade demais em troca de nada. Ou melhor, em troca de doenças e sofrimento.
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