A jornada do governador Paulo Hartung, em favor da candidatura ao Senado do deputado federal Renato Casagrande, não passa de um processo de legítima defesa do seu projeto político de dominar o Espírito Santo por muito tempo, ameaçado com as chances do ex-governador Max Mauro de eleger-se para o Senado.
O que acaba justificando as ações políticas e eleitorais do governador para impedir essa vitória de Max Mauro. Vitória que anda relativamente desenhada e que o governador quer revirá-la em favor do Casagrande.
Um governador que tem tudo nas mãos nessas eleições, fadado a ganhar do Sérgio Vidigal com relativa facilidade, capaz, com alguns senões, de fazer a Assembléia das necessidades do seu próximo governo e uma bancada de deputados federais dócil, não pode jogar tudo isso fora perdendo o Senado para o ex-governador Max Mauro.
Porque o velho Max (como carinhosamente a rua passou a tratá-lo nessas eleições), com um mandato poderoso, como o de senador, vai ser o opositor que ninguém gostaria de ter, muito menos Paulo Hartung. Um obstáculo e tanto para o seu controle político sobre o Estado. Como já disse Kenneth Tynan, "o poder absoluto é absolutamente delicioso."
Isto porque PH já provou que, com o poder na mão, quem não o reverencia não o fustiga, porque sabe que o braço dele é comprido e pesado. Vejam os exemplos mais recentes: ele está batendo duro nos mensalistas da Assembléia Legislativa, e esses mesmos mensalistas, quando vão aos programas de TV, só fazem engrandecer o seu governo.
E quando escapa alguém no Estado e o ataca, pega fama de desajuizado, como ocorre com o jovem deputado Neto Barros, do PDT. Seus pronunciamentos não passam dos limites do plenário da Assembléia, por mais procedentes e bombásticos que possam ser. É comum ouvir na imprensa, que não os acolhe, a versão de que Neto Barros não tem estatura e responsabilidade política suficientes para dizer o que anda dizendo do governo.
Com Max seria e será diferente. Neste Espírito Santo, o que ele fala costuma ter fórum de verdade. PH sabe disso melhor do que ninguém. Com Max no Senado e ele no governo, sua vida será um inferno. Daí a validade de estar na estrada à frente de um verdadeiro exército para derrotar o velho Max. Nos cálculos dele, certamente, deve constar que só a vitória de Casagrande garante mais quatro anos de intocável poder, como ocorreu neste seu primeiro mandato.
Fragmentos
1 - O governador Paulo Hartung ganhou o privilégio de só ele poder pronunciar a palavra corrupção no horário gratuito da TV. Um juiz eleitoral censurou os programas do candidato ao Senado Max Mauro e do candidato ao governo Sérgio Vidigal.
2 - Do Max, mandou tirar do ar um programa inteiro por constar dele, em vários momentos, a palavra corrupção, e do Vidigal as criticas ao sistema de Saúde. Nenhuma dos dois programas citou o nome do governador Paulo Hartung. O do Max mostrava a história do candidato, destacando o seu combate à corrupção.
3 - O pedido de censura ao programa do ex-governador Max Mauro foi do próprio governador Paulo Hartung. O juiz eleitoral que ordenou a censura foi o juiz Auxiliar da Propaganda Eleitoral Telêmaco Antunes Abreu Filho.
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