A Ponta da Fruta e os riscos do píer





Ubervalter Coimbra


Respeitada a escala, o píer anunciado para os pescadores da Ponta da Fruta poderá ter efeitos parecidos aos causados a Camburi, à baía e praia, pelo aterro que alongou a Ponta de Tubarão. Ou, ao píer construído na Praia do Canto, para lembrar um outro exemplo.

O alongamento da Ponta de Tubarão destruiu a praia de Camburi, ao desviar as correntes marinhas. Três piers já foram construídos para conter as correntes marinhas, na busca de evitar que elas tirem a areia da praia, e o trabalho de pouco ou nada resolve: a areia dragada do fundo do mar para engordar a praia é levada de volta para o fundo, ou para o lado norte da praia. Só não vê quem não quer!

O aterro de Ponta do Tubarão e suas conseqüências são de responsabilidade da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). O píer da Praia do Canto e seus impactos - a morte da praia, pois foi construído um enrocamento que impede a circulação das águas - são de responsabilidade do Iate Clube. O da Ponta da Fruta será de responsabilidade do Estado.

A Ponta da Fruta é uma das praias mais tranqüilas do Espírito Santo, apropriadas para banho de crianças, por ser uma praia rasa.

Há muita expectativa em torno da construção do píer da Ponta da Fruta. Por um lado, ele poderá servir aos pescadores da região. Legal, né? Mas deverá também atrair tripulações de grandes barcos, muitos deles de grande porte para a região. Quais serão os impactos desta nova clientela na comunidade? Quais serão os impactos destes barcos na pesca da região? Uma das possibilidades é a de que a concorrência na pesca seja desleal para os pescadores nativos.

Se construído na forma mais econômica, como enrocamento - lançamento puro e simples de pedras mar adentro, como no caso do píer do Iate Clube - uma das conseqüências prováveis é o desvio das correntes marinhas na região. Onde vão parar as areias da praia? Como será a praia em 10/20/50 anos?

O projeto prevê a construção do píer sobre pilotis, permitindo a passagem das correntes marinhas, uma obra muito mais cara? Neste caso, os impactos serão menores? Quais e menores em quanto?

O governo do Estado tem de ter a responsabilidade de discutir o assunto em profundidade com a comunidade da Ponta da Fruta.

Esta uma razão a mais para que moradores, ambientalistas e os órgãos responsáveis pela fiscalização ambiental no Estado (exclusive o Iema, este comprometido com o projeto, até por ser governo) - leia-se: Ibama, Ministérios Públicos Federal e Estadual - que se alertem.

Os riscos de um píer na Ponta da Fruta são enormes.

O alerta para os futuros impactos da obra deve ser do mesmo tamanho, antes que seja tarde!


Contato: ubervalter@seculodiario.com