Vida de Imigrante - Errar é humano?




Wanda Sily
Escreve direto de Miami - EUA


Por razões que só o inexplicável explica (costumamos chamar de azar) fiquei sem computador nesse fim de semana. Só nesses momentos de crise total entendemos o quanto estamos escravizados a esse tiramo eletrônico, que controla nossos horários, nossas preferências, muda nossos hábitos e até nossas vidas.

Os mais jovens de vez em quando perguntam aos um pouco mais velhos como se sobrevivia num tempo sem computador. Para esses que já nasceram apertando botões, o mouse é a varinha de condão que abre todas as portas, que leva a todos os lugares, enfim, a conecção com o mundo civilizado.

Casamentos arranjados na Internet, por exemplo, já estão se tornando tão comuns que já tem gente perguntando também como o método tradicional funcionava. Garoto encontra garota, etc e etc. Com as dificuldades de relacionamento da vida moderna, os casamentos estão restritos às dobradinhas colegas de colégio, vizinhos de rua, colegas de trabalho.

Se abordar uma garota estranha num cinema, num shoping ou na rua, o sujeito corre o risco de ser taxado de tarado, de pervertido, e até ser processado por avanço sexual. A Internet está aqui mesmo para sanar o problema, amenizando a difícil etapa inicial e cimentando o caminho para um relacionamento mais sério, caso haja interesse.

Também as diversões, a programação dos cinemas, o trajeto para um local desconhecido, seja uma rua ou uma cidade, a escolha de uma faculdade, a tentativa de emprego, não há nada que a Internet não resolva, de maneira mais rápida e eficiente que as antigas opções disponíveis.

Bem, nem sempre. Os relacionamentos "arranjados" na Internet não estão garantindo o "final feliz" tao desejado, tal e qual... E os computadores, tal como os humanos, não são assim tão perfeitos. Por exemplo, nos deixam na mão nos momentos em que deles mais precisamos. E basta um simples piscar da energia elétrica e, horror dos horrores, lá se vai o texto para essa coluna - Oh, esqueci de salvar!

Precisei ir a um determinado endereço, e a Internet prontamente me deu o mapa da região, e as dicas de como chegar lá, com as várias opções de trajeto, não esquecendo de indicar situação de trânsito, horários de encerramento de escolas no trajeto, etc. Aceitei a sugestão do trajeto mais rápido, e depois de meia hora no trânsito, vejo que o local estava a alguns minutos da minha casa.

Bom, nós também erramos, e com muito mais freqüência, o que vem indicar apenas que, se estamos cada vez mais dependentes dos computadores, eles também estão ficando cada vez mais parecidos conosco.