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Foto: Arquivo Século
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| Um Amor Além do Muro
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Parece que há no cinema alemão atual uma linha denominada
Ostalgic. Para quem sabe um pouco de alemão, já entreviu a cartilha da escola:
Ost, em alemão, significa leste. Em suma, é um cinema que revê com menos distância científica e mais lirismo a Alemanha Oriental.
Adeus, Lênin (2003), de Wolfgang Becker, é um exemplo.
Também o é a comédia dramática
Um Amor Além do Muro, que estreou sexta-feira (13) no Cine Metrópolis, na Ufes. Dirigido por Dominik Graf, o filme, certamente não à toa, se passa em 1961.
O primeiro ano da década de 60 é emblemático para sismografia política da época. Ali a Guerra Fria, perdoem o trocadilho, esquenta. Tanto na terra quanto no céu.. Primeiro, foi o ano em que os EUA impuseram um embargo econômico à Cuba que dura até hoje. Segundo, os EUA puseram em prática um (fracassado) plano de invasão à Cuba, com agentes treinados pela CIA, num episódio que ficou conhecido a
Invasão da Baía dos Porcos. Terceiro, o russo Iuri Gagarin foi a primeira pessoa a dar uma volta em torno da Terra no espaço.
O quarto item é o que nos interessa. Em 13 de agosto de 1961, Berlim acorda dividida por um muro, uma cortina de concreto a dividir a República Democrática da Alemanha (RDA) da República Federal da Alemanha (RFA).
O pano de fundo histórico de
Um Amor Além do Muro é justamente esse resgate dos primeiros momentos do Muro de Berlim. Tudo no filme começa naquele ano, quando Siegried Molnar (Riemelt), ou Siggi, se muda para Dresden, tentar um emprego como cenógrafo. Num parque, conhece um grupo de jovens que se divertem, pândega que acaba com a chegada da polícia.
No meio dessa história toda, Siggi conhece o casal Luise (Jessica Schwarz) e Wolle (Ronald Zehrfeld). Ela é uma jovem poetisa, livre e à frente de seu tempo, que o leva para um bar chamado "A Cacatua Vermelha" (que, aliás, é o título original do filme), para onde muitas pessoas vão em busca de alívio contra a opressiva atmosfera do regime comunista.
A produção é feita pela
X-Filme Creative Pool, responsável por outros sucessos alemães como
Corra, Lola, Corra (1998) e
Paraíso (2002), ambos de Tom Tykwer, e também
Adeus, Lênin.
Um último paralelo entre
Adeu, Lênin e
Um Amor Além do Muro: enquanto se embasa no nascimento do Muro de Berlim, aquele já está em seus estertores. Uma comprovação da busca desse cinema alemão pelo lado leste do país daqueles tempos.
Serviço
Um Amor Além do Muro está em cartaz no Cine Metrópolis, às 18h40 e 21h, na Ufes.
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