Felizmente, a humanidade volta a colocar no topo da Agenda a questão do meio ambiente, do aquecimento global e das possibilidades do desenvolvimento sustentável.
Com isto, ela volta a refletir sobre os paradoxos e dilemas do próprio processo civilizatório e sobre as possiblidades de permanência da curva do crescimento econômico, aqui e acolá. Em tempos de PAC, aqui no Brasil, trata-se de um debate pertinente.
O primeiro grande desafio da Humanidade vem do fato de que o próprio processo global de crescimento pode voltar-se contra os seus criadores, devorando os recursos terrestres e poluindo terras, mares e céus. É como se fosse uma nova versão do monstro a la Frankenstein.
O segundo grande desafio decorre do fato de que a evolução da tecnologia física (sociedade da informática e da informação), advinda dos processo de inovação , superou a evolução da tecnologia social (instituições em geral, em particular a democracia e o mercado). Assim, por exemplo, as evoluções da tecnologia nuclear, da tecnologia genética, da inteligência artificial e da nanotecnologia, se não forem acompanhadas por evoluções na tecnologia social, podem gerar efeitos perversos e, no limite, catástrofes (guerra nuclear, por exemplo).
Já o terceiro grande desafio da Humanidade é o do choque de culturas. Hoje, este choque de culturas, com seu caráter destrutivo, está presente no cotidiano da Humanidade, via Televisão, via Internet e nas grandes metrópoles multiculturais. Ressaltando-se principalmente a tensão entre o Islamismo e a cultura Ocidental, com a produção do terrorismo internacional nas fronteiras da Barbárie.
A questão do crescimento econômico duradouro e sustentável é, assim, parte de um debate recorrente sobre desafios e paradoxos que a Humanidade precisa enfrentar e, quiçá, resolver. Lembrando que três instituições são como pedras fundamentais para "equacionar" o problema do desenvolvimento sustentável: o mercado, a ciência e a democracia (na qualidade de "produtora" de políticas públicas).
Permeando o debate contemporâneo do crescimento econômico, está o debate sobre a natureza humana. Para além das visões clássicas sobre a natureza humana da esquerda (altruísmo) e da direita (egoísmo), hoje já se consolidou a uma nova idéia.
É a idéia de que os seres humanos não são nem intrìnsecamente altruístas, nem intrinsecamente egoístas. Eles tenderiam à cooperação com outros seres humanos (altruísmo), mas punindo aqueles que violarem as normas da cooperação (egoísmo) .
No Século XXI, é exatamente esta tendência do ser humano à cooperação, combinada com estruturas institucionais que articulam mecanismos de mercado com ações regulatórias do Estado, que permite a busca do desenvolvimento sustentável e a superação dos três grandes desafios da Humanidade, acima enumerados.
| |