O caranguejo como arma





Rogério Medeiros

O governador Paulo Hartung está substituindo o estandarte do crime organizado pelo do caranguejo para continuar evitando que o seu governo seja visto por dentro. A troca é para criar a idéia de que as criticas - sejam presentes ou futuras - partem do atraso.

Envolto ainda em pretensões políticas divinas, PH parte para forjar uma nova moral política, em defesa dos seus quatro futuros anos de governo. O caranguejo é agora o seu novo artefato bélico, com o qual pretende contar para atingir os seus próximos críticos.

Troca o direito de distribuir o Bem e o Mal pelas afiadas puãs dos caranguejos. Mais vai ser um trabalho hercúleo para o nosso frágil crustáceo. Pois o governo anda embaraçado em compromissos antiéticos, como o que redundou no arquivamento da CPI do Grampo em favor de colocar o presidente da CPI, suplente de deputado Rudinho de Souza, de volta à Assembléia.

Na parte operacional do governo, há fracassos como o projeto Águas Limpas, em que a Cesan, apesar da imensa publicidade, não conseguiu concluir nenhuma obra que iniciou. Em Caminhos do Campo (um conjunto de estradas tocadas pela Secretaria de Agricultura), mal acabou de ser concluída a maior parte das estradas, e elas já estão esburacadas e sendo remendadas.

A Segurança, então, é hour concours.

São essas e outras que o caranguejo estará incumbido de evitar. Mas, para a história, torna-se necessário encaixar as peças desse governo como elas realmente são. Pois a história roda em cima de premonições lúgubres desse governo.

Mas PH está aí para evitar ocupar o espaço que a história está a lhe reservar. O caranguejo veio para avisar aos desavisados que não se brinca com o poder de fogo dele. O jogo que começa a ser jogado com o estandarte do caranguejo é mais para confundir do que para compreender o governo. PH continua movido pelo espírito da conquista e pela índole de vencedor.

Fragmentos
1 - No seio da oposição corre a apreensão de que o ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal, também presidente do PDT regional, anda querendo criar condições de novamente disputar as eleições para o governo do Estado.

2 - Que, saindo dos que o cercam, apavora o resto oposicionista. O mesmo que se sentiu lesado por ele nas eleições em que Vidigal cuidou mais da eleição da sua mulher para deputada federal do que da sua própria candidatura ao governo.

3 - Em várias áreas oposicionistas, há o convencimento de que o adversário ideal é o prefeito de Vila Velha, Max Filho, também do PDT de Vidigal. Uma administração muito bem avaliada, um nome de expressão estadual e que o governador Paulo Hartung não gostaria de ver diante do seu candidato ao governo em 2010.