Vitória (ES), edição de 17 de abril de 2007

Mortes de adolescentes aumentam
na Região da Grande Vitória



José Carlos Bacchetti
Foto capa: Nerter Samora


Mais dois jovens morreram vítimas de disparos de armas de fogo na Região Metropolitana da Grande Vitória. Os crimes aconteceram em Vitória e Serra. As vítimas foram o adolescente M.S.F., de 16 anos - assassinado com oito tiros, sendo dois na cabeça e dois na barriga - e Fábio Sobrinho Ribeiro, 19 anos, executado com seis tiros, dois na região lombar e quatro na cabeça.

O adolescente M.S.F. foi assassinado no bairro São Pedro I, em Vitória, enquanto Fábio Ribeiro foi executado em Jacaraípe, na Serra, este o segundo colocado no ranking nacional dos homicídios por armas de fogo. Os dois assassinatos, coincidência ou não, ocorreram no início dessa segunda-feira (16). Os corpos foram encaminhados ao Departamento Médico Legal (DML) de Vitória.

A apuração dos crimes deve começar nesta quarta-feira (18), em função da paralisação quase por completo da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) em virtude do acidente com uma aeronave da Polícia Militar do Espírito Santo, que resultou na morte de seis pessoas, uma delas o piloto do avião.

Esses dois homicídios vão entrar para o mapa da violência das Organizações dos Estados Ibero-Americanos para a Educação e a Ciência e a Cultura (OEI).

Na última pesquisa divulgada por este órgão - terça-feira, 27 de fevereiro deste ano -, ficou registrado que das 556 cidades brasileiras com maiores médias 17 são do Espírito Santo. O mapa do crime da Grande Vitória, onde os adolescentes são vítimas de homicídios, praticamente todas as semanas, reforça o trabalho coordenado pelo Núcleo de Estudos da Violência da USP (Universidade de São Paulo, estudos as mortes de crianças e adolescnetes entre 1980 e 2002, e observou que dos 16% dos casos ocorridos no País, 59,8% foram crimes praticados com armas de fogo.

Já o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) divulgou no final do ano passado que 16 crianças e adolescentes são assassinadas por dia no País, e que neste período - 1990 e 2002 - essas mortes aumentaram 80%. O resultado da pesquisa mostra um aumento, já diagnosticado em levantamentos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) e em estudos da Unesco (Fundo das Nações Unidas para a Educação, Ciência e a Cultura), das mortes violentas de jovens no Brasil.

A pesquisa mostra que não há nação, entre 65 países comparados, onde os jovens morram mais vitimados por armas de fogo do que no Brasil. O País também é o terceiro, num ranking de 84, em que mais jovens entre 15 a 24 anos morrem por homicídios. Em mortes violentas, principalmente de jovens, o Brasil lidera a frente inclusive dos países que estão em estado permanente de guerras ou conflitos armados.