Vitória (ES), edição de 06 de agosto de 2007
 
Jornalistas repudiam manipulação
da notícia em favor da Aracruz

Ubervalter Coimbra


A prática dos veículos de comunicação no Espírito Santo de manipular a informação para favorecer a transnacional Aracruz Celulose, prejudicando quilombolas e índios, foi condenada pelos participantes do Congresso Nacional Extraordinário dos Jornalistas. O congresso foi realizado em Vitória no último final de semana.

Quilombolas e índios estão lutando para retomar terras que a Aracruz Celulose tomou à força, ou comprou a preços vis, em plena ditadura militar, há 40 anos. Dos descendentes dos negros a empresa tomou a maior parte dos 50 mil hectares que os quilombolas perderam.

Dos índios, a Aracruz Celulose tomou 40 mil hectares, dos quais o próprio governo federal reconhece que são terras indígenas 18.070 hectares. Ato inconstitucional do governo Fernando Henrique Cardoso permitiu que a Aracruz Celulose mantivesse em seu poder 11.009 hectares de terras indígenas. O governo Lula ainda não devolveu as terras aos índios.

A Aracruz Celulose também tomou terras dos pequenos agricultores, e destruiu 50 mil hectares da mata atlântica e toda a sua biodiversidade. Seus eucaliptais destroem a água e os agrotóxicos usados pela empresa contaminam os poucos quilombolas que conseguiram resistir em suas propriedades.

Mesmo assim, a Aracruz Celulose é tratada pelas redes Gazeta e Tribuna e e por outros veículos de comunicação do Espírito Santo como uma empresa sustentável.

O protesto dos jornalistas brasileiros a esta cobertura veio na forma de uma moção de repúdio.

A moção foi divulgada pelo Sindicato dos Jornalistas e tem os seguintes termos: "Nós, profissionais da imprensa de todo o Brasil, participantes do Congresso Nacional Extraordinário dos Jornalistas, realizado de 03 a 05 de agosto de 2007, manifestamos nossa indignação e repúdio à manipulação da notícia pelos maiores veículos de comunicação no Estado do Espírito Santo, no trato dos conflitos de terras envolvendo a empresa Aracruz Celulose e as comunidades indígenas e quilombolas no Norte capixaba.

Adotando uma posição nitidamente conservadora, os maiores veículos de comunicação estão orientando e manipulando o trabalho de profissionais jornalistas, apresentando apenas a versão latifundiária dos fatos.

Essa constatação ocorre exatamente no momento em que nós discutimos e aprovamos um novo Código de Ética para nossa categoria profissional neste Congresso Nacional. Por isso denunciamos que esse comportamento manipulador, pela parte maior da imprensa local, compromete a perspectiva de "olho da nação", pois, nega espaços em suas matérias para livre manifestação das famílias que lutam pela devolução das terras violentamente expropriadas pelo grande capital. Uma situação reconhecida pelas instâncias do Estado Brasileiro com competência constitucional para a solução de tais conflitos. Defendemos a liberdade de imprensa, uma conquista que não pode ser ameaçada pela ânsia por gordos lucros, auferidos a partir dos volumosos anúncios publicitários da grande indústria de celulose em nosso país".

A moção, apresentada pela delegação do Espírito Santo, foi aprovada à unanimidade.

   

Código de Ética dos Jornalistas tem 20 anos

Delegações de 23 estados participaram das discussões sobre o Código de Ética dos Jornalistas. O Congresso Nacional Extraordinário dos trabalhadores teve como objetivo atualizar seu Código de Ética, em vigor há 20 anos.

Na abertura do Congresso, Suzana Tatagiba, presidente do Sindijornalistas/ES, ressaltou a relevância do debate da ética para os jornalistas e a importância de levar o debate também para a sociedade civil em geral.

A presidente afirmou: "O sistema de consulta pública na elaboração da tese guia ao Código de Ética foi fundamental para consolidarmos um processo democrático e aberto à participação da sociedade".

Texto da assessoria de Imprensa do Sindicato dos Jornalistas informa ainda que durante os três dias de Congresso os representantes da categoria debateram alterações a serem feitas no Código de Ética. As mudanças no exercício da atividade jornalística ocasionadas pelo emprego das novas tecnologias da informação, e assuntos referentes ao exercício do jornalismo em assessoria de comunicação e imprensa figuraram entre as principais questões a serem revisadas.

O Código de Ética revisado e atualizado será disponibilizado pela Fenaj a todos os sindicatos para que o divulguem entre a categoria nos estados.

Diretoria da Fenaj - A solenidade de abertura do Congresso também marcou a posse da nova diretoria da Fenaj, que estará à frente da entidade durante o triênio 2007/2010. O Espírito Santo conta com dois representantes na diretoria: Suzana Tatagiba, que assume como vice-presidente Regional Sudeste, e Edlamara Conti, que estará à frente do Departamento de Mobilização em Assessoria de Comunicação.

   


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