Vitória (ES), edição de 28 de dezembro de 2007
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Adeus, ano velho...



Henrique Alves



  
Foto: Ricardo Medeeiros
  
O escritor Reinaldo Santos Neves


Listas com o melhor/pior do ano que passou são um saco. Mas são sempre divertidas. As escolhas são nossas, feitas arbitrariamente; e discordâncias, claro, hão de existir. Sem mais delongas, pois...

- A Estação Porto merece todas as loas possíveis e concebíveis. Embora criada em 2006, aquele cantinho calorento no Centro de Vitória juntou gente de tudo quanto é canto mesmo em 2007. Foi lindo, tocante e comovente ver a avenida Getulio Vargas tomada, em certos momentos que o Armazém 5 não comportou todo mundo.

- Fica aqui nosso pedido, e nossa cobrança, para que o prefeito de Vitória João Coser não deixe o projeto morrer na praia. Ou melhor, no porto.

- Todos os shows que passaram pela Estação Porto foram bons. Arnaldo Antunes, Zeca Baleiro, João Bosco, Luiz Melodia, Renato Teixeira, Pena Branca, Cumadre Fulozinha, Jorge Mautner. Telões foram montados do lado de fora para contemplar aos que não puderam ou quiseram entrar.

- Mas dois shows foram inolvidáveis. Um: Elza Soares. Indescritível. O outro: Tom Zé, apesar dos mirrados 40 minutos de show. Mas ver o Tom Zé de perto foi um momento único.

- A Estação Porto foi tão marcante que seu (temporário) fechamento deixou uma lacuna visível na agenda cultural capixaba.

  
Foto: DIvulgação
  
Tomie Ohtake: o MAM-SP no Maes
- Os shows do Tim Festival. Em especial, Paulo Moura e Samba de Latada, Joe Lovano e Cat Power.

- A ausência da Feist foi de machucar o coração. Poxa, foi aos 45 do segundo tempo...

- Hilal Sami Hilal e sua exposição Seu Sami, no Museu da Vale.

- O borgiano A Longa História, novo livro de Reinaldo Santos Neves, o principal escritor capixaba em atividade.

- Caetano Veloso e seu disco no Ginásio Dom Bosco. Vê-lo cantar You Don't Know Me foi do $%&@*#*!!!

- Caetano Veloso no Aeroporto de Vitória logo depois do show. Mas uma pobre vítima do caos aéreo.

- Este que vos fala não foi, mas quem viu a Marisa Monte no Álvares Cabral garante que foi um espetáculo deslumbrante.

- Os discos 11 Tracks, do Zémaria, e Carne, do Mukeka di Rato. Capixabas com público cativo dentro e fora do estado, dispensam uma boquinha em propagandas do governo. Quem pode, pode.

- O disco O Aleph, de Fabiano Araújo. Um eficiente diálogo entre o popular e o erudito.

  
Foto: DIvulgação
  
O pianista Fabiano Araújo
- As principais festas folclóricas e religiosas do estado - a de Muqui, as de São Benedito na Serra e em Vitória - continuam arrebanhando multidões.

- Quanto aos curtas capixabas... Bem, deixa pra lá.

- Nota triste: o passamento do Edith Bulhões. Mas valeu a grande mobilização cultural para manter aquela chama viva.

- Iberê Camargo, Di Cavalcanti, Volpi, Tarsila do Amaral, Amilcar de Castro, Lygia Clark, Hélio Oiticica, Lygia Pape, etc, etc. Estes e outros cânones das artes plásticas brasileiras em solo capixaba. Acertaram em cheio.

- O Ciclo Beethoven, da Orquestra Filarmônica do Espírito Santo (Ofes), que culminou triunfantemente na apresentação da Nona Sinfonia.

- Mas, ô, vida!, uns velhos problemas persistem. O Espírito Santo continua preterido, ou quer/prefere manter-se enquanto tal, em lançamentos nos cinemas e em shows. A vida que pulsa lá fora demora a vir pra cá. Quando vem. E agora, quem poderá nos ajudar?

- E um Feliz 2008 para você e sua mãe, pai, irmão, irmã, tio, tia, avô, avó, namorado, namorada, sobrinho, primo, cachorro, gato, papagaio, et cetera, et cetera!

 

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