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Foto: Divulgação
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Mocinha corajosa a vocalista do Pato Fu, Fernanda Takai. Pelo menos do ponto de vista estético, tão quanto Nara Leão, a quem homenageia em seu primeiro disco-solo
Onde Brilhem os Olhos Teus (Do Brasil Música/Tratore, R$ 23,90 em média). O álbum é um políptico em 13 partes/faixas da carreira da cantora capixaba em que o pop-rock, marca indisfarçável de Fernanda, dá o tom nos traços e nas cores.
É sabido que as preocupações artísticas da cantora capixaba iam em direção muito diferente, contrária talvez, ao que seu timbre de voz poderia sugerir quanto a sua personalidade artística. Esse longo período era só para dizer que a voz macia, que pisa em ovos, de Nara "oculta" uma alma artisticamente inquieta e incoerente, no que nisso há de saudável.
Fernanda, com seu igualmente plácido timbre, não deixou por menos. Nas entrevistas que deu, ela reconhece suas limitações (e as de seu produtor, marido e colega de Pato Fu, Jonh Ulhoa): não sabendo brincar com os brinquedos de Nara - samba, bossa nova, baião, choro... - resolveram apostar no que tinham em mãos e, diga-se, sabem manipular muito bem. Falamos do pop-rock, gênero ou sei-lá-o-quê musical que dá as cartas no disco.
Por isso o disco é bom. Nara não teve o menor pudor de passar da Bossa à Jovem-Guarda ou desta à Tropicália. Num âmbito mais específico, Fernanda também foi uma despudorada, lançando mão de recursos eletrônicos, mas sempre na medida certa. Do mesmo modo, as guitarras aparecem sempre precisas.
Em
Insensatez há um violão, mas não
a la João Gilberto.
Com Açúcar, Com Afeto virou um rockzinho acelerado e
Lindonéia (que Nara canta no disco
Tropicália, de 1968, com arranjo de Rogério Duprat) ficou agradavelmente irreverente - no trecho
Nas paradas de su-ces-so!!! dá vontade de rir!
Mal lançou o disco, Fernanda foi agraciada com o prêmio de
Melhor Disco da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Com a chancela ou não da entidade paulista, a cantora ousou certo. Se Nara sempre foi atenta ao que a circundava, provavelmente ficaria satisfeita com a homenagem, semeada no inesperado e na personalidade da mocinha do Pato Fu.
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