O deputado federal Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB-ES) afastou-se da sua marca registrada, a marca de político formulador, para desferir virulentos e inusitados ataques frontais ao ex-governador petista do Espírito Santo, Vitor Buaiz ( período 1995/98 ).
Luiz Paulo saiu do seu campo, o campo das idéias, para usar o fígado e sentenciar de forma peremptória: (Buaiz) “cometeu crime administrativo e político” e acabou “ligando-se ao crime organizado”.
O contexto (e pretexto) da acusação de Luiz Paulo ao ex-governador Buaiz foi uma afirmativa feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por ocasião da sua recente visita ao Espírito Santo (30/11/07).
Em visita ao município de Colatina (ES), o presidente Lula citou as administrações do ex-governador Vitor Buaiz, então no PT, e, também, do ex-governador José Ignácio Ferreira, então no PSDB, para criticar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que teria tratado com descaso o Espírito Santo.
O presidente Lula citou e afirmou: “tivemos aqui um governador do PT, o Vitor Buaiz, meu grande companheiro, que comeu aqui no estado o pão que o diabo amassou. Ele vivia em Brasília acreditando que o presidente Fernando Henrique Cardoso iria ajudá-lo, e não ajudou. Não tinha dinheiro para pagar salários de funcionários, não tinha dinheiro para pagar o remédio gratuito, não tinha dinheiro para fazer as coisas”, disse o presidente em discurso.
Em seguida, o presidente disse que o mesmo se repetiu durante o governo seguinte de José Ignácio, de 1999 a 2002, embora este fosse do PSDB. Foi quando, lembrou Lula, o estado “faliu, quebrou”.
De forma clara e cabal, o contexto das afirmativas do presidente Lula é o contexto das disputas políticas e retóricas dele (Lula) com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Disputas retóricas que são recorrentes entre estes dois líderes políticos e que expressam as disputas políticas entre o PSDB e o PT, tanto pela hegemonia na política de São Paulo, quanto pela hegemonia na política do Brasil. Dito de outra forma, é a resultante da chamada “paulistização” da política brasileira nos últimos quinze anos, pelo menos.
O contexto das afirmativas do presidente Lula é, também, de forma muito clara, a iniciativa de puxar para ele (Lula) os devidos méritos pela atitude dele e do seu governo de grande cooperação com o governo do governador Paulo Hartung (PMDB).
Cooperação que se iniciou já em 2003, com a articulação, negociação e aprovação da operação de royalties do petróleo. Foi exatamente esta operação, da ordem aproximada de 300 milhões de reais, que permitiu ao governador Paulo Hartung e ao seu competente secretário da Fazenda, José Teófilo de Oliveira, iniciar o processo de saneamento financeiro e fiscal do governo do Espírito Santo.
Se o contexto e o pretexto são exatamente estes, por que teria o Deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas deixado o seu festejado bom humor e o seu “fairplay” de lado para, no lugar de atacar o próprio presidente Lula, autor das afirmativas, atacar o ex-governador Vitor Buaiz - que, de resto, está fora da arena e da disputa política há quase dez anos?
Por que teria Luiz Paulo assumido para si a disputa paulista e nacional entre o PSDB e o PT? Seria já uma antecipação das eleições municipais de 2008 no Espírito Santo e das eleições gerais de 2010? Seria produto da disputa local, em Vitória, entre o PSDB e o PT pela hegemonia na capital do estado?
Luiz Paulo tem uma carreira técnica e política ainda de sucesso. Como técnico do BNDES, e engenheiro, foi membro da equipe de Zélia Cardoso de Melo, no Governo Collor, que formulou o Programa Brasileiro de Qualidade Total. Depois, adepto das idéias ligadas à qualidade total, foi membro do Governo Albuíno Azeredo no Espírito Santo, o antecessor de Vitor Buaiz.
Teve, ainda, uma breve passagem pela equipe do ministro Pedro Malan, até que resolveu optar pela carreira política, pelas mãos do governador Paulo Hartung, que o ajudou a eleger-se prefeito de Vitória em 1996. Qualificou-se como bom gestor no primeiro mandato, sempre com as idéias do arcabouço teórico-metodológico da qualidade total. E, uma vez reeleito , concluiu o segundo mandato ainda bem avaliado, mas já no processo de desgaste natural dos segundos mandatos (com exceções que confirmam a regra , é claro).
Agora, mais recentemente, aplica os seus conceitos de qualidade à questão das cidades e publica um livro relevante em que coloca idéias instigantes, por exemplo, sobre o federalismo brasileiro.
Ou seja, Luiz Paulo navega bem no campo das idéias. No campo das formulações. Neste campo, mesmo aqueles que constatam que as referências teórico-metodológicas da qualidade total estão parcialmente superadas pelo processo natural do decorrer do tempo e da inovação do conhecimento, reconhecem que ele tem um espaço político próprio. Primeiro no Espírito Santo. Agora, no Congresso Nacional, onde, por exemplo, discute a nova Lei do Gás. E onde pode crescer, dada a presença de um enorme vácuo de idéias e projetos.
Mas no campo da política feita com o fígado, Luiz Paulo desqualifica a sua presença no cenário político. É como se tivesse uma recaída provinciana, logo ele, que sempre criticou a presença da chamada Teoria do Caranguejo no cotidiano da cultura e da política capixabas. O que é isto, companheiro?
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