PT é sempre PT. Quando se pensa que vai por um caminho, ele toma um atalho e inicia uma nova jornada de lutas. Não por acaso, é o único partido brasileiro que adota a democracia interna em suas decisões.
Tudo no PT é resolvido pelo voto. É evidente que voto também se manipula. Mas, sem dúvida, não existe melhor instrumento de decisão coletiva numa democracia.
No Estado, a eleição em segundo turno para renovar sua direção deu a vitória ao grupo que defende a manutenção do acordo com o governo Paulo Hartung. Mas não foi uma vitória em termos absolutos.
O vitorioso para a presidência foi o deputado estadual licenciado e secretário do Trabalho do governo estadual, Carlos Casteglione. Só que, para a composição da Executiva Estadual, o grupo contrário ao acordo ficou em maioria. Coisas da democracia.
Com um voto a mais, a Executiva não tem poder para torpedear o acordo, mas terá força para imprimir uma postura mais crítica em relação ao governo. A mídia convencional não atentou para esse detalhe, mas Século Diário fez as contas e constatou que os dois votos do líder do partido na Assembléia Legislativa alteram a correlação de forças dentro da Executiva.
O que vai exigir do governo, na futura legislatura, mais habilidade e cuidado no encaminhamento de matérias polêmicas. Isso não significa risco de rejeição em bloco dos projetos governistas. Significa que mais uma voz se levantará contra a prática de enfiar matérias - todas elas - goela abaixo do Legislativo.
O novo líder petista na Assembléia, Cláudio Vereza, já deu mostras, na legislatura recém-finda, que certos projetos não podem passar pela Casa sem uma discussão mais profunda. Sem perder a condição de aliada do governo, a bancada petista, sob a liderança de Vereza, vai cobrar do governador explicações sobre pontos que venham a contrariar as diretrizes do partido.
É o que está colocando com muita clareza, nesta edição, o dirigente petista, sindicalista e ex-deputado José Otávio Baioco. Ele perdeu a eleição para Casteglione, mas o grupo que representa - frontalmente contrário ao atrelamento do PT ao governo - é majoritário na Executiva e pode provocar uma rediscussão desse tema no nível interno.
Essa tese foi defendida pela deputada federal petista Iriny Lopes, em entrevista a Século Diário, e agora se vê que ela já existe na prática e pode ser exercitada caso o governo não mude sua postura nas futuras relações com o Legislativo.
É o PT despertando da letargia que o imobilizou no primeiro ano do novo mandato de Hartung.
|