O efeito Jorge Góes





Rogério Medeiros

A solução do desembargador Jorge Góes para a prefeitura de Vila Velha é gás puro para tocar a candidatura de Max Filho ao governo do Estado. Começa pela relação de amizade com os Max - pai e filho - e termina na relação política dele com o governador Paulo Hartung.

PH não tem como ser contra. E demonstra isto claramente, como está na edição de "A Tribuna" desta quinta-feira (28). Pois ele foi, na presidência do Tribunal de Justiça, o guardião do governo. Não passou nada contra o governo e passou tudo de que o governo necessitou e precisou.

Como não subir no seu palanque? PH já fez isto com o Lula, mas duvido que faria com Jorge Góes. Estaria mexendo com um vespeiro, que é o Tribunal, e ele sabe o custo da ajuda que os desembargadores deram ao governo, através da presidência do Góes.

E não dá também para PH repetir a dose da ingratidão ao Lula no Góes. Vai pegar mal. Então, essa do Góes o Max Filho aprontou muito bem. Pois, se ele aceitar candidatar-se à prefeitura de Vila Velha, Max vai dar uma limpada nos candidatos do PDT e PH vai ter que desmontar o bloco de candidatos que armou para derrotar o candidato de Max Filho.

Mas, apesar da candidatura dele representar uma nomeação, ele conta com resistências familiares e o receio de embarcar na política, onde raramente se saiu incólume com a sua imagem e honra. Mesmo com esse risco, já dão conta que ele anda propenso a seduzir-se pelo canto da sereia. Vale explicar que desembargadores e membros do Judiciário no mesmo nível, assim como militares, não precisam estar filiados a partidos políticos um ano antes do pleito, podendo fazê-lo até com seis meses de antecedência.

É claro que resolve o problema político do Max Filho, isto, em nível de sucessão em Vila Velha. Representa fazer o seu sucessor. Mas não garante a sua candidatura ao governo do Estado, apesar de o resultado eleitoral em seu município fortalecê-la.

Pois, enquanto estiver no PDT, vai estar sujeito aos interesses do presidente regional do seu partido, o ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal. Este anda já rondando o palácio Anchieta para conseguir chegar ao gabinete do governador. Entregar a cabeça do Max numa bandeja a PH, e ele entrega, é possibilidade absolutamente real ao momento político que ele vive, onde só PH o salva.

Fragmentos
1 - O projeto político do PTB no Estado é filiar o prefeito de Vila Velha, Max Filho, e o seu pai, o ex-governador Max Mauro. Partir para acolher a oposição, fazendo dele o seu candidato ao governo. Mas é um projeto de médio prazo. Para depois que Max Filho deixar a prefeitura, quando então poderá ingressar noutro partido. Esse caminho é um recurso que ficará disponível para Max Filho, apesar de ele insistentemente assegurar que não deseja deixar o PDT.

2 - Que problemas poderia trazer para o PTB local? Certo, certo, a insatisfação do deputado estadual Marcelo Santos, aliado do governador Paulo Hartung e que permaneceu no partido crente de que ele estaria entre os partidos apoiadores do governo.

3 - Dos seis deputados que o PTB tinha no inicio da legislatura, sobraram três: Marcelo e o ex-vereador de Vila Velha Rafael Favato, candidato a prefeito, e o Freitas da Farmácia. O Favato não tem como impedir a entrada do Max Filho. Seria suicido eleitoral. Já o Freitas da Farmácia, também da base governista na Assembléia, é muito verde para se meter numa encrenca dessa.