Vitória (ES), edição de 14 de fevereiro de 2007

Pagotto continua ameaçando testemunhas
e levando medo à familia Denadai



Renata Oliveira

O titular da Delegacia Anti-Seqüestro, Celso Felipe Ferrari, ouviu na manhã desta quarta-feira (14) um envolvido nas ameaças feitas por telefone à deputada Aparecida Denadai (PDT/foto), dias depois que ela criticou a manutenção do contrato do empresário Sebastião Pagotto (foto) com a prefeitura de Vitória. O delegado só falará sobre o assunto à tarde, mostrando que, quando o caso envolve Pagotto, todo cuidado é pouco, inclusive para a polícia, que, pela manhã, não confirmava sequer se o depoimento foi do vice-presidente do Vitória Esporte Clube, identificado como Paulo César, que seria o autor da ligação. Pagotto é indiciado e irá a júri popular como mandante do assassinato do irmão da deputada, o advogado Marcelo Denadai, morto a tiros em abril de 2002.

Esta não é a primeira vez que Aparecida é ameaçada de morte por lutar pela punição dos responsáveis pela morte do irmão. O próprio empresário já parou o carro em frente à sede do PL e encarou a deputada, durante a campanha eleitoral pela prefeitura de Cariacica, em 2004.

Enquanto o júri não é marcado, o empresário permanece solto, aumentando o sentimento de insegurança dos familiares do advogado morto e das testemunhas do caso. Desde o início das investigações, seis pessoas envolvidas no caso já foram assassinadas. Entre os mortos em decorrência do caso está o ex-tenente Paulo Jorge dos Santos Ferreiras, o Pejota. Acusado de ser o autor dos disparos que vitimaram Denadai, Pejota, que era segurança de Pagotto, foi morto com 30 tiros, em dezembro de 2003.

Pagotto foi preso pela Polícia Federal que encontrou indícios do envolvimento do empresário com a morte do advogado. Mas conseguiu hábeas corpus da Justiça, que considerou a prisão desnecessária, já que sua soltura não interferiria no caso. Em maio do ano passado, porém, Pagotto e o advogado dele foram presos por subornar uma testemunha.

O empresário foi preso em sua residência, na Mata da Praia, em Vitória. Ele já se preparava para fugir quando foi abordado pelos policiais. Com medo, a testemunha agora pensa em mudar o depoimento.

O processo ficou parado durante muito tempo no extinto Grupo de Repressão ao Crime Organizado (GRCO) e só foi desengavetado um dia antes da dissolução do grupo. Foi a denuncia do Ministério que levou à nova prisão de Pagotto naquela época.

Denadai foi morto às vésperas de revelar informações sobre um esquema de fraudes na prefeitura de Vitória em licitações para contratar empresas para limpeza de fossas e galerias na Capital. Concorrência vencida sempre por Pagotto.

O processo sobre o homicídio está parado na 4ª Vara Criminal de Vila Velha e aguarda resultado de uma série de recursos procrastinatórios que tramitam no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF). Os recursos visam a impedir que o empresário vá a júri popular.

Segundo Aparecida, que falou com os jornalistas durante a sessão desta terça-feira, que dias após o pronunciamento, sua assessora - enquanto estava de posse do telefone celular particular da parlamentar - recebeu uma ligação oriunda de um número restrito, ou seja, não identificado, e passou então a ouvir uma série de ameaças contra a parlamentar. Nem as duas filhas de Aparecida escaparam das ameaças.

Com isso, a parlamentar recorreu ao titular da Delegacia Anti-Seqüestro, Celso Felipe Ferrari, que, em posse de uma liminar para quebra de sigilo telefônico, fez o que tecnicamente é chamado de 'conta inversa' e descobriu qual era o número do telefone utilizado para realizar a ligação.

A linha do celular seria de propriedade da loja Casa das Bombas, situada na avenida Leitão da Silva, em Itararé. Curiosamente, a loja comercializa bombas para desentupimento de galerias de esgoto. Os responsáveis pela loja foram contatados e afirmaram que o celular foi emprestado para um homem chamado Paulo César, presidente do Vitória Esporte Clube.

Segundo informações apuradas pela imprensa, os envolvidos no caso seriam ouvidos nesta quarta-feira (14), às 10h, na Delegacia Anti-Seqüestro, localizada na Chefatura de Polícia.