No início de 2005, participei, junto a outros arquitetos, do concurso nacional de projeto para um shopping center na Unisinos, em São Leopoldo (RS). Apesar de premiados com o 3° lugar, não me considero nenhum especialista neste tipo de projeto.
O fato é que ojerizamos tanto aquele espaço artificial-claustrofóbico-consumista que nossa proposta (
clique aqui para conhecer o projeto) se constitui como um misto de paródia e crítica, se apropriando "da simbologia de um espaço natural ao adotar elementos geológicos artificiais como forma de composição espacial. Rochas, precipitações, pequenos lagos e montinhos recriam a visão de algo que quer se aproximar do mundo exterior sem nunca sê-lo verdadeiramente e nem copiá-lo. São elementos que remontam imagens de uma paisagem exterior, mas são descaradamente artificiais. Um grande tapete de grama sintética recobre uma grande área deste espaço, acompanhando as ondulações e imperfeições do piso; um outro piso monolítico marca alguns caminhos e trajetos que recortam a ágora, e a água, em seu estado natural, está presente em pequenas lâminas formando lagoas rasas o bastante para se molhar o pé".
Apesar disto, ultimamente, um projeto tem me chamado a atenção: o Shopping Jardins, que apesar de, à primeira vista, parecer um shopping, possui alguns detalhes que o diferenciam dos outros que conhecemos.
Shoppings são como cassinos. Têm que manter o usuário o máximo de tempo possível fazendo com que esqueçam do tempo lá fora e se concentrem apenas em consumir (ou em jogar). Por isso, um dos pontos de destaque do projeto é a configuração espacial de suas circulações, que, na verdade, se constituem como extensões das calçadas perimetrais ao edifício, onde o fora e o dentro se confundem. Não existem barreiras (apenas à noite, quando uma porta de chapa de ferro perfurado fecha as circulações) ou condicionamento artificial, fazendo com que o espaço seja aberto, contínuo e fluido. É até engraçado, quando chove, ver o piso molhado.
A organização das fachadas das lojas também ajudam a esta subversão da lógica interiorizadora dos shoppings, criando uma relação biunívoca entre externo e interno.
Entretanto, apesar destas inovações subversivas, o arquiteto não abriu mão (talvez fosse esse o preço a se pagar...) de revestir externamente o shopping seguindo a "tendência contemporânea" do mercado imobiliário capixaba, que reza que um edifício deve ostentar, em suas fachadas, o máximo em vidro ou granito ou, melhor ainda, os dois juntos. Além disso, a iluminação externa excessiva que ofusca quem passa por ali à noite e a solução de ventilação do subsolo são pontos questionáveis do projeto.
Pontuado por alguns pontos questionáveis, mas estruturado por uma organização agradável, o Shopping Jardins se destaca como um exemplo em meio ao festival de horrores arquitetônicos que se proliferam em Vitória.
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