Vitória (ES), edição de 15 de fevereiro de 2007    
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Carioca - A estréia de Chico no Rio



Oscar Vasconcelos

Atualizado toda terça-feira, às 16 horas.


A estréia da turnê "Carioca", "em casa", se tornou o "acontecimento" do dia naquela primeira quinta feira de 2007. Chovia, mas era uma chuva bem vinda, pois fazia um calor imenso e com a proximidade da hora do show, a temperatura subia mais. Normal. Havia fila até momentos antes do início devido à medida tomada pelo Canecão para inibir a ação dos cambistas nesse evento (embora ainda assim eles estivessem lá). Os ingressos mais acessíveis só podem ser comprados no dia do show, e um por pessoa. Apesar da grande fila que se formou, não houve confusão e o esquema funcionou bem.

Se alguém tem alguma dúvida em relação ao prestígio e importância de Chico para sociedade, eu creio que um bom parâmetro para medir isso, seria uma rápida análise dos presentes para assistir à apresentação. Pense numa celebridade que "pense". Qualquer uma. Pois é, ela estava lá... Os bilhões de flashes disparados não me deixam mentir. A nata da nossa cultura se encontrava no mesmo lugar naquela noite. Todos os nossos "ídolos", tranqüilamente assumiram o posto de fãs.

Às 22 horas, dando apenas a "tolerância" aceitável para os "atrasados" o show começou com a casa abarrotada de gente. Todos muito atentos e contemplativos. Chico surgiu sereno no palco com "Voltei a Cantar", de Lamartine Babo, emendando direto com "Dura Na Queda" para depois trocar as primeiras das poucas palavras com a platéia que já delirava, "obrigado, boa noite Rio de Janeiro" e seguiu com "O Futebol". No repertório entraram todas as músicas do disco novo, e algumas cresceram mais no palco, como foi o caso de "Outros Sonhos", "Ela Faz Cinema" e "Renata Maria" assim como o belo dueto de "Imagina" com Bia Paes Leme fazendo os vocais que foram de Mônica Salmasso no disco. Já "Sempre" e "Bolero Blues" não renderam muito bem.

Fora as novidades, o show se baseou em músicas menos conhecidas do grande público. O que é um verdadeiro presente! Claro que clássicos também passaram por lá. Duas seqüências de arrepiar foram, "Mil Perdões", "A História de Lily Braun", "A Bela e a Fera", "Ela é Dançarina" e depois "Bye Bye Brasil" (pela primeira vez incluída no repertório de um show), "Cantando No Toró" (Chico parou no segundo verso e disse "ih, errei a letra!", mesmo errando foi ovacionado mais uma vez pelo público carioca) e "Grande Hotel" (parceria com Wilson das Neves que veio para frente do palco dividir o vocal da canção e ainda fazer uma "tabelinha" com uma bola imaginária que terminou em gol e comemoração estilo Bebeto na Copa de 94. Encerrando o show, "Na Carreira" e o eficiente apoio vocal de Bia novamente. Aplausos infinitos até o bis que se caracterizou por serem dois belos e irresistíveis sambas, "Sem Compromisso" e "Deixa a Menina".

As luzes ameaçaram acender mas ninguém se movia, uma gritaria beatlemaníaca tomou conta do lugar e Chico retornou para o segundo bis, com dois belos cavalos de batalha, "Quem Te Viu Quem Te Vê" e "João e Maria" encerrando de forma grandiosa essa linda noite de chuva na "capital do samba".

A temporada se estendeu até a semana anterior ao carnaval, e com certeza esta pessoa que está aqui a escrever verá mais algumas vezes como se fosse a primeira vez. Sabe-se lá quando haverá outra oportunidade dessas? Não pense duas vezes! Vá!

E-mails para o colunista: dezprasseis@hotmail.com


 

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