O diretor das categorias de base do Vitória Futebol Clube e ex-presidente da Comissão Licitatória de Cariacica, José Nicodemos Venturini, foi o autor do telefonema com ameaças à deputada estadual Aparecida Denadai (PDT/foto), dias após ao pronunciamento com críticas à manutenção de contratos da prefeitura de Vitória com a Hidrobrasil, empresa de Sebastião Pagotto, amigo íntimo do acusado.
O acusado é 'cumpadre' de Pagotto, que irá ser levado a júri popular como mandante do assassinato do irmão da parlamentar, Marcelo Denadai, ocorrido em abril de 2002. As informações foram obtidas com exclusividade pela reportagem deste Século Diário.
O titular da Delegacia Anti-Seqüestro da Policia Civil, Celso Felipe Ferrari, responsável pelo caso, irá concluir o inquérito somente após o Carnaval e deve encaminhá-lo à Justiça. Segundo informações do escrivão que acompanhou os depoimentos, o delegado espera esgotar todas as possibilidades de surgirem elementos no processo.
O caso, marcado por coincidências, iniciou-se um dia após a deputada Aparecida criticar, em pronunciamento na tribuna da Assembléia Legislativa, a manutenção de contratos de limpeza de galerias de esgoto em poder da empresa de Pagotto com o Executivo de Vitória. Através de seu telefone celular particular, no momento em posse de uma assessora, uma voz lançava ameaças contra a parlamentar e as suas duas filhas.
O delegado Celso Ferrari, em posse de uma mandado liminar judicial de quebra de sigilo telefônico, identificou a linha de onde partiram as ameaças como pertencente à Casa das Bombas, situada na avenida Leitão da Silva, em Itararé.
Curiosamente, a loja comercializa bombas para limpeza de galerias de esgoto, como as utilizada pela Hidrobrasil para a realização de seus serviços, porém, o celular havia sido emprestado para o dirigente do Vitória Futebol Clube, Paulo César Braga, que declarou que o número era utilizado não só por ele, mas por jogadores e membros do clube. Uma estranha conduta já que aparelhos de celular são muitas vezes associadas a uso pessoal e privado.
Nos depoimentos, uma terceira pessoa foi incluída no caso. José Nicodemos Venturini, diretor e ex-vice-presidente do Vitória Futebol Clube com histórico vinculado à licitações públicas e relacionamento íntimo com Pagotto, que é tratado como 'cumpadre' - sem mesmo de fato ser. Venturini já foi presidente da Comissão de Licitação em Cariacica e atualmente é Fiscal de Renda na Serra.
Venturini admitiu que fez o telefone apenas para amedrontar a parlamentar em virtude das críticas à Hidrobrasil - empresa de seu 'cumpadre' - e que não tinha intenção de matá-la. O contraditório se deve ao fato de o acusado ter se comunicado na terça-feira (13), um dia antes de seu depoimento na Policia Civil, com Sebastião Pagotto. O que pode gerar indícios da participação do empresário na trama.
Em decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o recurso impetrado pelo empresário que tentava impedir o júri popular da morte de Marcelo Denadai teve seu provimento negado.
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