O presente nada mais é do que o esforço do passado para converter-se no futuro.
(Miguel de Unamuno)
O cenário parece perfeito para quem tem sede de pesquisar. O Acervo Público do Estado, no entanto, ainda está distante dessa imaginária perfeição, aos olhos do sedento pesquisador. Mas o nosso entrevistado deste final de semana tem boas notícias.
O diretor geral do órgão, o sociólogo Agostino Lazzaro, conta-nos como estão as expectativas para a nova sede, na Rua Sete de Setembro, Centro de Vitória.
A previsão para a inauguração será até julho de 2008: a data de aniversário de cem anos do Arquivo Público. O novo espaço terá uma nova ambientação, novos equipamentos, novos funcionários e um sistema climatizado.
Nesta entrevista, podemos constatar algumas peculiaridades sobre o Arquivo, situado na Rua Pedro Palácios, Centro, Cidade Alta. Por entre aquelas estantes, a memória do Estado é guardada, em forma documental, exigindo o máximo de zelo e atenção.
Como afirmou Lazzaro, o original é peça única, mesmo com todas as facilidades das novas tecnologias. O Arquivo trabalha com essa perspectiva de preservação e conscientização. Um dos projetos desenvolvidos é o "Imigrantes do Espírito Santo", por exemplo, levando os serviços do Arquivo ao interior do Estado. O curioso é que a maior incidência de busca é sobre a origem, a árvore genealógica, a própria história.
Século Diário: - Como é que o Arquivo Público está organizado para atender ao público?
| |
Foto de: Nerter Samora
|
|
|
|
Agostino Lazzaro: - O público do Espírito Santo já vem sendo trabalhado há, praticamente, uma década, para ser, realmente, um órgão dinâmico, para que se possa ter acesso a informações de valor histórico, de valor permanente, mas de modo moderno, de modo dinâmico, para atender às demandas, às novas demandas sociais. Os arquivos públicos, de Estado, passaram por uma transformação, principalmente dos anos noventa para cá. Ou seja: a sociedade passou a exigir dos arquivos mais eficiência. A sociedade mudou. Os arquivos também têm que acompanhar essa mudança.
- Mais agilidade também.
- Mais agilidade, sim. As pessoas já estão acostumadas à Internet, com novas tecnologias... Então, os arquivos estão trabalhando para atender a esse tipo de expectativa da sociedade. A razão de ser do arquivo histórico, permanente, existir é justamente prestar serviço à sociedade que o sustenta. O Arquivo Público do Espírito Santo cumpre o seu papel, mesmo com as dificuldades que surgem durante todo o percurso.
- Quais são essas dificuldades?
- Mais espaço, espaço adequado. No governo Paulo Hartung, o Arquivo conseguiu uma vitória muito grande. Na nossa gestão, conseguimos, com o apoio do governador, uma nova sede, na Rua Sete de Setembro, no antigo prédio da Escelsa, edifício Getúlio Resende. Foi uma vitória muito grande porque, há décadas, o Arquivo Público precisava de um novo edifício, de um novo local para trabalhar o espaço de forma adequada, considerando que o prédio na Pedro Palácios foi construído na década de vinte, no século passado... Quer dizer, o próprio Arquivo do Estado está desmembrado. Parte está em outro prédio, na Rua Barão de Itapemirim, até conseguirmos fazer a reforma na Rua Sete e conseguir unificar o acervo. O acervo arquivístico é crescente. A cada governo, vai se modificando, vai aumentando, vai recebendo novos documentos, através dos recolhimentos... A questão das novas tecnologias: a sociedade exige novos arquivos, centros de documentação, mas não se pode aplicar as novas tecnologias a tudo. Por exemplo: há documentos que não podem ser desmembrados e digitalizados porque eles formam um suporte grande, são antigos, são documentos com mais de cem anos. Então, se você desmembrá-los, o papel pode se esfacelar. Cada caso é um caso. Temos que analisar o suporte, se pode ser digitalizado, se pode ser microfilmado ou só transcrito, conforme a situação. De qualquer modo, estamos trabalhando para atender a essas expectativas. Conseguimos desenvolver projetos interessantes, nossa página na Internet é bastante acessada, existem dezenas de documentos históricos que podem ser impressos na casa do usuário. Temos relatórios de governo, obras raras que cada Arquivo publico... Então, aquilo que pode ser viável para ser colocado na Internet, a gente coloca e a página é bastante acessada, o que demonstra que esse é um caminho muito interessante, o caminho da Internet, para alcançarmos o usuário que, digamos, não pode vir até o Arquivo, às vezes está no interior do Estado, até fora do Espírito Santo e do país.
| |
Foto de: Nerter Samora
|
|
|
|
Há temas muito interessantes porque os arquivos públicos funcionam de acordo com as demandas sociais. Procuramos trabalhar determinadas linhas, determinados projetos, em função daquelas demandas que estão mais presentes porque é um universo, é um universo muito grande. Você tem que optar, tem que fazer escolhas. O que está sendo mais requisitado, mais solicitado pelo nosso usuário? Temos esse controle pelo cadastro do usuário na portaria e trabalhamos com dados, com estatísticas, para ver o que está sendo mais consultado, que linhas de trabalhos podemos implementar, que instrumentos de pesquisa seriam ideais, no momento, para auxiliar o usuário. Mesmo com a Internet, é humanamente impossível digitalizar um acervo arquivístico. Mesmo por causa da quantidade, considerando-se a quantidade e considerando-se também os suportes dos documentos. Há documentos que você não pode digitalizar, não pode mexer porque pode deteriorar. Há esse tipo de dificuldade.
- Qual a previsão para a mudança de espaço?
- Se tudo der certo, temos até 2008 para conseguirmos a reforma total, correta, de fato, de acordo com as normas internacionais que são colocadas pelo CIA, Conselho Internacional de Arquivos. Em seguida, normas de adaptação, de reforma. Já implementamos parte da mudança, que é o setor administrativo, que já está funcionando na Rua Sete de Setembro. Mas, a parte de acervo, os setores técnicos... Tudo isso depende de uma reforma adequada. Então, estamos pretendendo finalizar até 2008 porque em julho de 2008 o Arquivo Público Estadual completa 100 anos. É uma data importantíssima e estamos batalhando para que possamos inaugurar até, pelo menos, o centenário.